segunda-feira, 7 de junho de 2010

Carta de renúncia do Pastor Antonio Silva Santana, 1º Tesoureiro CGADB

Foto: Pr. Adão Santana

REDE BETEL - WWW.TVBETEL.NING.COM


Compilada por João Cruzué/Blog Olhar Cristão
(proibida a cópia)


"CARTA DE RENÚNCIA DA PRIMEIRA TESOURARIA DA MESA DIRETORA DA CONVENÇÃO GERAL DAS ASSEMBLÉIAS DE DEUS NO BRASIL."


À MESA DIRETORA:


Considerando que fui eleito como Primeiro Tesoureiro da mesa diretora da CGADB, em 24 de abril de 2009, por ocasião da 39ª Convenção das Assembleias de Deus no Brasil, realizada em Serra/ES;

Considerando que só tomei posse em 29 de julho de 2009, e não sendo me entregue os documentos fiscais, contábeis e bancários, e principalmente, relatórios da situação financeira, fiscal e contábil da CGADB até a posse;

Considerando que só a partir desta data é que fui tomando ciência da real situação fiscal e financeira da CGADB (Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil), encontrando saldo devedor no Banco Bradesco Agência 026 da Avenida 1º de Março, Conta Corrente 015.800-0 e muitos cheques emitidos pelo Tesoureiro anterior, que foram devolvidos de todas as contas correntes pertencentes à entidade;

Considerando ter encontrado a Tesouraria sem nenhum funcionário, os computadores bloqueados;

Considerando que ao longo deste período foi impossível de desenvolver o trabalho a mim confiado por 6.326 companheiros de ministério, que me outorgaram o mandato de primeiro Tesoureiro desta entidade;

Considerando que a cada dia fica impossível o levantamento de toda documentação contábil, fiscal e bancária, uma vez que não foi atendida a solicitação do Conselho Fiscal da CGADB lavrado em 12 de março de 2010 solicitando uma auditoria nas contas do mandato anterior a 2009;

Considerando o relatório da comissão especial lavrado em 25 de maio de 2010 contestado por mim, discordando do presidente desta comissão especial dos termos aludidos ao presente relatório onde está epigrafado que a tesouraria não apresentou relatório das receitas aferidas em janeiro de 2007 a dezembro de 2009;

Que não foram encaminhados os comprovantes efetuados em igual período;

Que não teve como efetuar as conciliações bancárias por falto dos extratos das respectivas contas desta entidade;

Que soube pelo então contador, Pr. Josuel Batista Ferreira, que a dívida fiscal [INSS] estava em processo de parcelamento junto à Receita Federal do Brasil, porém sem nenhum comprovante ou protocolo do mesmo;

Que toda documentação comprobatória das receitas e pagamentos dos anos anteriores até abril de 2009 como elencado no relatório, encontra-se sob a guarda do secretário adjunto, Pr. Cyro Melo e que no período subseqüente de abril a dezembro de 2009 por ordem do assessor da Presidência desta entidade, Pr. Antonio Ferreira, sendo recomendado pelo Pr. Cyro Melo que está com a documentação, que só poderia ser liberada ao contador com sua devida autorização e que até o presente momento não tenho conhecimento onde se encontram tais documentos, relatórios, balanços, etc.;

Que não assinei a confissão de dívida celebrada entre esta entidade [CGADB] e a US TRAVEL OPERADORA DE TURISMO LTDA. inscrita no CNPJ 06.314.936/0001-73 no valor de R$3.300.000,00 pagas em três parcelas, sendo a primeira parcela por transferência eletrônica nº 016524 e 0165928 em 23 de junho de 2009, e a segunda parcela por transferência eletrônica nº 0631213 em 23 de julho de 2009, e a última parcela por determinação exclusiva do presidente, não tenho informação se foi ou não paga;

Considerando que no relatório da comissão especial onde se apurou não ser necessária e completamente sem sentido a exigência de uma auditoria nas contas da entidade requeridas pelo Conselho Fiscal da mesma, e com parecer pela rejeição das mesmas, e por achar tremendas irregularidades;

Considerando o não entrosamento do sistema de informática da entidade principalmente na tesouraria, impossibilitando o bom desempenho deste tesoureiro;

Considerando ainda o aparecimento de inúmeros cheques emitidos pela CGADB , onde não constavam locais e datas de emissão, porém pré-datados, inclusive com vencimentos previstos para abril de 2010, com valores extremamente elevados, não tendo conhecimento das respectivas notas fiscais emitidos em nome da Convenção, pelos serviços prestados, e quem foram os beneficiários;

Considerando que diante de todos estes entraves torna-se impossível a reorganização das documentações pertinentes à tesouraria para que com maior profundidade se tenha uma real clareza da efetiva situação;

Considerando que o alto endividamento e os procedimentos não muito transparentes das contas a pagar, sem uma devida autorização expressa pelo tesoureiro, e a grande dificuldade por não ter contas liberadas junto aos bancos uma vez que até às mesmas contém restrição bancárias junto ao BACEN;

Venho em caráter irrevogável e irretratável RENUNCIAR ao cargo de Primeiro Tesoureiro da mesa diretora da CGADB – Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil, a partir desta data.

Ciente de que com este meu gesto, posso de consciência tranqüila continuar o trabalho que há muito tempo venho desenvolvendo na presidência da Igreja Evangélica Assembleia de Deus de Ribeirão Preto/SP, e poder junto com aqueles que a mim confiaram este tão elevado posto, estar certos de que me dediquei ao máximo para ver nossa CGADB diferente e com outra postura, principalmente no aspecto administrativo, o que infelizmente não consegui.

Agradeço a Deus, a minha família, ao ministério, e a todos que sempre depositou[depositaram] em mim plena e total confiança, e neste momento de uma decisão tão difícil se solidarizam comigo.

Abraço fraterno em Cristo.


Rio de Janeiro, 31 de maio de 2010.


a: Antonio Silva Santana

Firma reconhecida no 2º Cartório

Protocolo de Recebimento na Secretaria Geral da CGADB em 31 de maio de 2010

Fonte: rodriggss@hotmail.com



Comentário: O princípio da transparência agora é Lei (EC 131) para todos os órgãos públicos. Como evangélico, assembleiano e servidor público de Tribunal de Contas, esperava que este princípio fosse padrão nas ADs. A julgar pela carta do ex-tesoureiro, em matéria de transparência financeira, a Administração Pública está servindo de padrão para a Igreja. Não deveria ser o contrário? (João Cruzué)

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