segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Ex-BBB Natália Nara se converte após pousar na Playboy


om dinheiro e fama, participante da quinta edição do Big Brother Brasil aceita Jesus e passa a recusar trabalhos que a afastavam de Deus. "Acharam que eu tinha ficado louca", afirma a ex-modelo que atualmente faz jornalismo e lidera célula da Igreja Bola de Neve, em Fortaleza (CE).

Cresci num lar em meio a uma guerra. Meu pai bebia muito e brigava quase todos os dias com a minha mãe. Quando eu cresci, proteger minha mãe virou minha função naquela casa e eu me colocava entre os dois nas piores discussões.

Depois de 20 anos de casamento, minha mãe decidiu se separar do meu pai, que soube que apoiei a decisão dela, ficou irado e jurou que nunca mais me pagaria nada (escola, alimentação, etc) e saiu de casa deixando-nos sem nada.

Já na adolescência, eu não sabia quem queria ser; um dia pintava o cabelo de verde, depois de loiro, outro dia colocava um piercing no nariz; um dia queria ser hippie, em outro punk e no outro, me achava ridícula.

As amizades sempre me decepcionavam e às vezes eu resolvia ficar sozinha. Por não saber quem eu era e o valor que tinha para Deus, confesso que andei beijando uns sapos por aí, até descobrir que existia um Deus maravilhoso, meu Pai, que me chamou pelo nome e sobrenome e cuidou de mim com amor.

Dentro de uma loja num shopping, chorei como criança quando liguei para o meu pai, pedindo que me desse uma ajuda em dinheiro. Ele negou. Eu tinha quase 18 anos e fiquei desesperada, sem saber o que seria da minha vida, e precisava trabalhar.

Depois de alguns convites, resolvi entrar para uma agência de modelos. Quando meu pai me viu pela cidade em outdoors, desfiles e comerciais de TV, passou a andar com a minha foto na carteira, contando a todos que eu era sua filha. Isso me causava uma raiva muito grande.

Com 19 anos, participei de um encontros de jovens da igreja evangélica e lá aceitei Jesus, aprendi a orar e a ler a Bíblia todos os dias.

Ainda trabalhando como modelo, comecei a ganhar algum dinheiro, pagar algumas contas em casa, mas tive de deixar de lado a profissão por um tempo. Eu queria fazer uma faculdade e também precisava de um trabalho estável, com uma renda mensal fixa. Acabei aceitando o convite para trabalhar em uma loja de perfurmes importados. Eu passava 7 horas em pé, entregando fragrâncias borrifadas em papeizinhos, sorrindo e dando bom dia e boa noite, em cima de um salto alto, ganhando cinco reais por dia. 90% das vendedoras da loja eram evangélicas e me falavam do amor de Cristo.

As vezes, surgia um trabalho como modelo e eu fazia. Em um deles, gravei um comercial para uma TV no Ceará e acabei sendo escolhida entre 1.500 pessoas e, acreditem, sem vontade de estar lá. Eu achava que era bobagem, que aquilo era para meninas que tinham grana, podiam sonhar e realizar. Comecei a ganhar dinheiro como apresentadora de TV e com publicidade. A partir daí, travei uma disputa com meu pai, de que conseguiria viver sem o dinheiro dele, e acabavamos sem nos falar.

Fui escolhida entre mais de 2 mil meninas e servi como modelo para o rosto da estátua da índia Iracema monumento de 12 metros no Ceará, recebendo 5 mil reais de premiação.

Depois disso, mandei uma fita para o reality show Big Brother Brasil e, entre 80 mil vídeos, fui escolhida. Passei seis semanas na casa e, quando saí, recebi o convite para posar nua numa revista masculina, o que nunca esteve em meus planos. Mas o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males (como afirma 1TM 6:10).

Conheci uma empresária cristã, que não quis comissão da revista. Ela começou a me evangelizar, levar-me à igreja e a shows evangélicos, comprar bíblia, livros, CDs e orar por mim. Eu me converti na mesma semana que a minha revista estava nas bancas. Mas eu só queria Jesus, Jesus, Jesus. Ia à Igreja na terça, quinta, sexta-feira, sábado e domingo.Quando me dei conta da revista (da besteira que tinha feito), passei um mês em casa, de pijama, sem querer sair, fazer nada, morando num apartamento no Rio, com carro na garagem, convites para as melhores baladas, roupas que ganhava de lojas e dinheiro na conta bancária. Só dormia quando via a luz do sol, de tanto remorso. Até que me arrependi e decidi andar nos caminhos do Senhor.

Passei a recusar o que me fazia ficar longe de Deus, desde as amizades até o dinheiro que me ofereciam para trabalhos com bebidas alcoólicas, em fotos e desfiles de lingeries, entre outros.

Graduei-me em Artes Cênicas, na cidade do Rio de Janeiro, onde morei por quatro anos e comecei a frequentar a Bola de Neve Church do Rio.

Sei que tudo neste mundo está debaixo da permissão de Deus. E a vontade Dele, finalmente, tornou-se soberana na minha vida, embora meus amigos não entendessem, ou minha família, que apostou todas as fichas em minha carreira. Acharam que eu tinha ficado louca. É Deus quem determina quem eu sou.

Depois de alguns anos sem falar com meu pai, fui à casa dele e pedi perdão por todo tempo que ficamos separados.

Hoje, estou terminando a faculdade de jornalismo, estudando francês, sou líder de célula da Bola de Neve de Fortaleza e faço parte do ministério de comunicação da igreja.

Felizmente, não sou quem o mundo diz que eu sou. Sou filha querida e amada de Deus, separada desde o ventre da minha mãe; sou herdeira de toda a sua fortuna de bênçãos; não preciso mostrar meu corpo em uma revista. Quanto ao futuro, Deus sabe quem eu serei e Ele diz que tudo coopera para o bem daquele que o ama. Sou valorosa, filha do Rei, SOU PRINCESA DO SENHOR JESUS!

Fonte: Guia-me

 

domingo, 29 de novembro de 2009

Os 4 quatros obstáculos para vencer na vida

Os 4 quatros obstáculos  para vencer na vida.

Gênesis 37- 9 – E sonhou outro sonho e o contou a seus irmãos, e disse Eis que ainda sonhei
um sonho; e eis que o sol, e a lua, e onze estrelas se inclinavam a mim
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A Bíblia traz uma revelação grande sobre a vida de José, filho de Jaco, conta que ele tinha aproximadamente 17 anos quando começou a sonhar ele teve dois sonhos e sempre esses o levava a ser grande e vencedor na vida. ( eu vejo esses sonhos como o que ele planejava para ser na vida ele desde jovem queria vencer ajudar seus pais ser alguém fazer a diferença.)  percebam na capitulo 37 de Gênesis que ele  compartilhava os seus sonhos com sua família  pois ela estava incluída nos seus objetivos.

Na nossa vida não e diferente desde jovem sonhamos em conquistar, ser e fazer a diferença, queremos estudar fazer  uma faculdade se profissionalizar uns quer ser medico, advogado, enfermeiro, professor, pastor, cantor, empresario, jogador de futebol, astronauta, politico, e tantas e tantos sonhos cada ser humano tem o seus.

Mas os obstáculos também são enormes as muralhas, as paredes, tempestades, perdas, doenças, invejas, inimizade, paixões, satanás  e outras cousas da vida estão lutando contra você e seu sonhos;

mas José  passou por tudo isso em nome de DEUS e dos seus objetivos e sonhos que ele tinha na vida, quero pegar esse belo exemplo de vida e mostrar a luz da Bíblia que eu e você podemos conquistar e derrubar muralhas e vencer, JESUS disse tudo pode naquele que quer, crer em que?
Que ele e poderoso, cumprir seus mandamentos e estatutos e suas leis e em nome dele podemos alcançar as nossas vitorias.

Primeiro obstáculo – Inveja
Os irmãos começaram a ter ciume dele com seu pai diziam que Jaco pai dava mais atenção ouvia mais a ele com esse sentimento de inveja os levaram a vender José para o Egito eles queriam se livrar daquele irmão.( isso acontece muito nas nossas família esse sentimento maligno que vem da parte de santanas tem levado irmãos pais e famílias bonitas sadias que teriam tudo para crescer desenvolver prosperar ser uma benção nessa terra, mas o mau entra nos corações deles e o sentimento de amor que tem entre eles são neutralizados.)  quero fazer uma observação sobre Jaco o pai deles não e que ele dava mais atenção para José, e deixava os outros de lado, não e isso e porque José era o mais novos deles por isso o pai tinha que dar mais educação e cuidados, os  outros também quando pequenos com certeza Jaco também deu os cuidados necessários.
Mas ele superou tudo isso e depois perdoou o seus  irmãos  não ficou jogando nos rosto deles.

Segundo obstáculos -  Lealdade e Gratidão José foi vendido para o Egito para casa de Potifar e esse comandante de faraó viu que ele tinha qualidade pois colocou ele encarregado dos empregados da casa ( eu percebo aqui que as pessoas que alcança destaques na vida não e por acaso eles tem qualidades , onde colocava José ele fazia bem feito,  sera que você esta fazendo bem feito.) mas a mulher de Potifar queria colocar água quente nos sonhos, queria prostitui com ele, mas ele recusou por que tinha objetivos e lealdade e gratidão a Deus e ao patrão dele.  ( estou querendo dizer que se você tiver oportunidade sadias sem passar por cima das pessoas e crescer, querer o melhor para você não esta errado. José não se prostitui.

Terceiro obstáculos – Superação
Mulher de patifa acusou, ele foi parar na cadeia ali ele poderia ter aprendido coisas erradas desviado mas  se superou era o melhor preso. ( quantas pessoas estão preso no passado, no casamento que não deu certo, no emprego que perdeu, o ente querido que faleceu.e não conseguem viver a vida superar as tragedias, eu sei que não e fácil mas em nome de JESUS você vai conseguir,  sempre depois de um temporal vem o sol ela vai brilhar novamente na sua vida amem.

Quarto obstáculo– Esta preparado.
Quando faraó chamou José para interpretar os sonhos José já tinha interpretado outros sonhos ele estava pronto para a oportunidade que Deus colocou no seu Caminho. ( uns DIS que não tem sorte outros diz que ela já passou mas um coisa e certa a sorte pertence a todos, você tem que esta preparado quando ele parecer pois ela vai parecer varias vezes na sua vida. Amem. Então se prepare leia mais estude faz uma faculdade um curso e fica ligado).

Pr. Luis Martins
Conferencista, Escritor e Editor de bolos.
prluismartins@hotmail.com
62 8462-1014


terça-feira, 24 de novembro de 2009

Brecha legal leva programas religiosos e de vendas para a TV


Bandeirantes, Gazeta, Rede TV!, Record e Rede 21 ocupam parte da programação com cultos de igrejas e telecomércio. Lei, de 1962, não aborda venda da programação e não é clara sobre cota de publicidade; lucro das TVs com a prática é polêmico.

É só zapear o controle remoto e constatar: na TV aberta o que não falta é programa religioso e de venda de produtos.

Levantamento feito pela Ilustrada, da Folha de São Paulo, com base na programação de São Paulo de 8 a 14 de novembro, mostra que Rede TV!, Record, Gazeta e Band ocupam entre 23% e 30% da grade semanal com programas religiosos.

E a Rede 21, do grupo Bandeirantes, tem só 30 minutos diários de programação própria, o restante tomado pela Igreja Mundial do Poder de Deus.

Dentre os programas exibidos nessas emissoras estão os cultos como os da Igreja Universal do Reino de Deus, de Edir Macedo (dono da Record), e os da Igreja Internacional da Graça de Deus, de R.R. Soares.

Além disso, Rede TV! e Band têm espaços alugados para programas de vendas, 10% e 6% do total da programação, respectivamente. Já a Gazeta ocupa 29% da semana com venda de produtos -isso sempre sem contar intervalos comerciais-, sendo que a própria emissora produz os programas.

Nesse telecomércio, tem de tudo. Liquidação de roupa, panelas fritando ovo ao vivo e lançamentos de condomínios etc. As TVs se aproveitam de um vácuo na legislação para alugar parte de seus horários a igrejas e a empresas de venda de produtos. A lei, de 1962, não trata do tema. Diz apenas que no máximo 25% da programação pode ser ocupada por "publicidade comercial", sem deixar claro o que isso quer dizer.

As emissoras podem estar em situação irregular ou não, dependendo da interpretação.

A venda de espaço para igrejas entra na cota de 25%, visto que o canal tem um lucro? Os programas de vendas entram? Ou "publicidade comercial" são apenas os intervalos? Eis o nó.

O governo vai entrar na polêmica. A ideia é regulamentar a comercialização do tempo de programação, uma vez que canais abertos são concessões públicas, reforçar a fiscalização do limite de 25% de publicidade e deixar claro o que entra na cota.

A proposta, da Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência, será apresentada em dezembro na Conferência Nacional de Comunicação, convocada por Lula. O documento, obtido pela Folha, fala em "coibir a comercialização do tempo de programação". "A concessão é dada a uma pessoa jurídica sob certas condições. Não tem sentido subcontratar", diz Ottoni Fernandes, secretário-executivo da Secom. O texto fala também em "regular a prática de proselitismo religioso". "Estamos propondo a discussão. Concessão pública implica, em tese, ser destinada a programas informativos, culturais", afirma Fernandes.

Para o sociólogo e professor de comunicação da USP Laurindo Lalo Leal, "uma TV aberta arrendar horários para igrejas ou vender tapete e joia 24 horas por dia contraria a lei".

"Esses programas de venda de produtos e os que as igrejas colocam no ar porque pagam ao canal deveriam ser computados nos 25% de espaço comercial permitidos pela lei hoje em vigor", afirma Leal.

Além disso, ele acredita que "alugar o horário é sublocação de concessão pública", diz Leal, que é ouvidor da TV Brasil.

O professor de direito da PUC Celso Antonio Bandeira de Mello não vê problemas: "Apesar de ser concessão pública, estamos no ramo de empresas privadas de TV, previsto pela Constituição. A liberdade de comunicação não pode ser cerceada".

Com isso, opina, o aluguel de horários na TV a igrejas não pode ser considerado violação do princípio do Estado laico.

As TVs negam praticar irregularidades.

Redes dizem que precisam de verba

A Rede TV! e a Gazeta foram claras sobre por que alugam horários para igreja e programas de venda: é questão de sobrevivência.

"Temos a Globo com 43% de ibope, que fica com 80% da verba do mercado publicitário. Enquanto a distribuição dessa verba não for equilibrada, as outras têm que fazer isso para sobreviver, até para que não haja no país um só microfone", diz Kalled Adib, superintendente de operações da Rede TV!.

"Os programas de venda dão audiência e faturamento. O telespectador está com o controle remoto na mão. Quem perde com isso? Precisamos de dinheiro para produzir nossa programação."

Segundo ele, o plano é reduzir o espaço alugado por programação própria.

Superintendente comercial da Gazeta, Luiz Fernando Taranto Neves também afirma ter planos de reduzir o espaço de programas de venda: "Fazer TV é caro. A venda de produtos é um modo de ganhar dinheiro e ir melhorando a programação. Já trocamos, aos sábados, o "Best Shop" por futebol".

Ele ressalta que a produção dos programas de venda é da própria Gazeta. "Temos um "call center" com 300 funcionários, vendemos e entregamos os produtos. Como são programas nossos, posso tirar do ar quando quiser. É diferente de alugar o horário, quando precisamos respeitar o contrato."

A Band, dona também da Rede 21, enviou e-mail, por meio da assessoria: "Ciente de seu papel na sociedade, a Abra (Associação Brasileira de Radiodifusores) aceitou o convite do presidente da República para debater as comunicações brasileiras na Confecom [Conferência Nacional de Comunicação]. A Band, que integra a Abra com a Rede TV!, está disposta a discutir os temas mais importantes do setor, ao contrário da mídia impressa, que preferiu ausentar-se do debate".

A Record também se pronunciou por e-mail, via assessoria de comunicação: "A Record cumpre todas as determinações da legislação em vigor".

Fonte: Folha de São Paulo

Governo prorroga redução de IPI para carros "verdes" até março

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou novas medidas de incentivo fiscal para a indústria automobilística. As isenções estão associadas a produtos ambientalmente corretos, que poluem menos ou são mais econômicos, como aconteceu com os eletrodomésticos em outubro.

O IPI DOS CARROS

CILINDRADAS FLEX GASOLINA
Até 1.000 3% até 31/3
7% após 31/3
7% em janeiro
De 1.000 a 2.000 7,5% até 31/3
11% após 31/3
13% em janeiro

Foi mantida a redução de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para os carros flex (bicombustíveis, que usam gasolina ou álcool) até 1.000 cilindradas no patamar em que se encontra hoje. O tributo hoje está em 3% e permanece assim por mais quatro meses, até 31 de março. Pelo que estava previsto, o imposto voltaria gradativamente, em janeiro, ao nível de 7%. Agora, com a prorrogação, esse nível normal de 7% só será adotado depois de 31 de março (veja tabela acima).

Os carros a gasolina até 1.000 cilindradas continuam na volta progressiva, como estava programado. O imposto volta a 7% em janeiro.

Carros de até 2.000 cilindradas seguem a mesma regra. Os modelos flex estão hoje com 7,5%. Permanecem até 31de março com esse índice. Depois voltam ao normal, de 11%. Os carros a gasolina voltam ao patamar de 13% já em janeiro.

Para caminhões, o governo está estimulando a compra de veículos novos. Foi prorrogada a redução de tributos para junho do ano que vem, permanecendo com alíquotas zeradas.

"Vamos combinar redução de tributos com questão ambiental, como no caso da linha branca", disse Mantega.

A desoneração estendida deverá custar aos cofres públicos R$ 1,3 bilhão.

Novas tecnologias

Mantega disse que o governo criou um grupo de trabalho para tratar com fabricantes, de modo que tragam ao Brasil novos projetos de carros preocupados com meio ambiente.

A ideia é usar energias renováveis e aperfeiçoar os motores flex, reduzindo suas emissões, estimulando a implantação de carros mais modernos. Seriam carros híbridos, que usem energia renovável e elétrica.

O governo já havia anunciado ao longo do ano três medidas para estimular o setor de carros. A primeira foi a redução de IPI anunciada em dezembro de 2008 e que estava prevista para durar três meses, até março. Em março, decidiu prorrogar o incentivo por mais três meses. O governo pediu como contrapartida que não houvesse demissões nas montadoras.

Depois, em junho, houve nova prorrogação, também com a condição de preservação de empregos dos metalúrgicos. O IPI para carros ficou diminuído por mais três meses, até setembro. Os impostos vinham aumentando gradualmente desde outubro e voltariam ao nível normal em janeiro.

Todas essas medidas foram adotadas pelo governo para tentar aquecer a economia e enfrentar a crise global.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Biografia da Senadora Marina Silva

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Marina Silva


Marina Silva está em seu segundo mandato no Senado Federal, com duração até 31 de janeiro de 2011. O primeiro mandato da senadora começou em fevereiro de 1995. De janeiro de 2003 a maio de 2008, ela esteve licenciada do Senado para assumir o Ministério do Meio Ambiente, de onde saiu no dia 13 de maio de 2008, retornando à Casa.

Eleita para o Senado pela primeira vez, aos 36 anos, pelo Partido dos Trabalhadores (PT), como representante do Acre, Marina Silva foi a senadora mais jovem da história da República, e a mais votada no Estado, com 42,77% dos votos válidos. Derrubando velhos caciques da política regional e rompendo com uma antiga tradição no Acre pela qual só chegavam ao Senado ex-governadores ou grandes empresários.

Atualmente, Marina Silva participa como membro titular das comissões de Meio Ambiente, e de Constituição e Justiça e preside a Subcomissão Temporária - Fórum das Águas das Américas e Fórum Mundial das Águas. É suplente nas comissões de Relações Exteriores e Defesa Nacional, de Educação, Cultura e Esporte, de Direitos Humanos e Legislação Participativa, e de Assuntos Econômicos.

Entre as mais de 100 proposições apresentadas pela senadora, desde o primeiro mandato, destacam-se 54 projetos de lei, dentre eles, o texto propondo a criação do Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal- FPE - para as unidades da Federação que abrigarem em seus territórios unidades de conservação da natureza e terras indígenas demarcadas.

Marina Silva também apresentou um projeto proibindo, por cinco anos, o plantio e a comercialização de alimentos contendo organismos geneticamente modificados (ogms) ou derivados, em todo o territorio nacional. Apresentou, ainda, projeto dispondo sobre os instrumentos de controle do acesso aos recursos genéticos do país.

Nos cinco anos do Governo Lula, Marina Silva optou por não fazer pirotecnia, mas trabalhar por políticas estruturantes, baseadas em quatro diretrizes básicas: maior participação e controle social; fortalecimento do sistema nacional de meio ambiente; transversalidade nas ações de Governo; e a promoção do desenvolvimento sustentável.

A ex-ministra sempre afirmou que fazia uma política de Governo. Para tanto, procurou imprimir na equipe do Governo Lula uma visão de trabalho integrado no tratamento das questões relacionadas com a proteção do meio ambiente. Foi assim, por exemplo, que o Governo passou a exigir dos aproveitamentos hidrelétricos a serem leiloados a obtenção da Licença Prévia, para que a viabilidade ambiental dos empreendimentos fosse avaliada antes da concessão para a exploração privada. Também baseado nessa diretriz, o Ministério, por intermédio do IBAMA, passou a ser ouvido prioritariamente antes da licitação dos blocos de petróleo e a variável ambiental começou a pontuar nas várias ações de Governo que envolviam o desenvolvimento sustentável.

Ministra do Meio Ambiente foi o primeiro cargo que Marina Silva exerceu no Executivo, a partir de janeiro de 2003. Convidada para continuar na equipe do segundo mandato do Presidente Lula, Marina Silva introduziu importantes reformas na estrutura do Ministério do Meio Ambiente. No primeiro mandato eram cinco secretarias, de Qualidade Ambiental, da Amazônia, de Biodiversidade e Florestas, de Desenvolvimento Sustentável e de Recursos Hídricos, que precisavam passar por mudanças.

A partir de 2007, o ministério começou a contar com uma nova estrutura, quando foi criada a Secretaria de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental que, entre outras atribuições, cuidaria do tema que passou a dominar as preocupações no mundo, as mudanças do clima. A nova estrutura foi completada com as secretarias de Biodiversidade e Florestas, de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano, de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável e a de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental.

Ao lado dessas secretarias, também foi criado o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade, uma autarquia com autonomia administrativa e financeira, para propor, implantar, gerir, proteger, fiscalizar e monitorar as unidades de conservação (UCs) federais, atividades que até então, eram desenvolvidas pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). A criação de uma autarquia específica para cuidar da gestão de unidades de conservação federais atendeu a uma reivindicação antiga do movimento ambientalista.

Antes, no primeiro mandato do governo Lula, já havia criado o Serviço Florestal Brasileiro e o Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal, para atuar na gestão florestas públicas federais e incentivar as praticas sustentáveis de atividades florestais, como o manejo florestal, o processamento de produtos florestais e a exploração de serviços florestais.

O IBAMA, reestruturado e fortalecido, pode melhor dedicar-se ao trabalho de execução dos processos de licenciamento ambiental, autorizações para uso sustentável dos recursos naturais, monitoramento e fiscalização de atividades predatórias.

Um novo formato para o sistema de licenciamento permitiu um aumento de 50% no total de licenciamentos ambientais entre 2003 e 2006, passando da média de 145 empreendimentos licenciados por ano para 220 licenciamentos de qualidade, com baixo grau de contestação judicial. Para que esses resultados pudessem ser obtidos, foram implementadas medidas de ordem estrutural. A antiga Coordenação Geral de Licenciamento Ambiental foi transformada em uma diretoria específica para o licenciamento, com três coordenações gerais: de empreendimentos de geração de energia hidrelétrica, de petróleo e gás e de transporte, mineração e obras civis.

Os recursos humanos para o licenciamento tiveram um tratamento especial. Em 2003, a equipe técnica da Coordenação-Geral era formada por sete servidores efetivos e 71 contratados temporariamente. Ao sair do MMA, Marina deixou na Diretoria de Licenciamento um quadro com 149 servidores efetivos e 31 temporários, num universo de 180 funcionários. Deixou, também, um sistema que disponibiliza na internet todas as informações relativas aos licenciamentos de competência do IBAMA, por meio do Sistema Informatizado de Licenciamento Ambiental (Sislic), como: relatórios de impacto ambiental, pareceres técnicos e editais de convocação de audiências públicas. Em quatro anos, o IBAMA concedeu licenças para 21 hidrelétricas, o que representa mais de 4.690 mw, todas sem judicialização.

O grande desafio que a ex-ministra encontrou em 2003 foi o crescimento acelerado do desmatamento da Amazônia. Quando o Governo Lula começou, o desmatamento estava em 27 mil quilômetros quadrados, a então ministra conseguiu levar o assunto para o centro de decisão do Governo com a criação pelo Presidente, em 2004, do Plano de Ação para Prevenção e o Controle do Desmatamento na Amazônia Legal, reunindo 14 ministérios, coordenados pela Casa Civil, com a secretaria-executiva exercida pelo Ministério do Meio Ambiente. Em três anos, o desmatamento na Amazônia caiu para 11 mil e quinhentos quilômetros quadrados, uma redução de 57% na área desmatada.

O Plano de Combate ao Desmatamento da Amazônia implementou uma verdadeira revolução no modo de elaborar e implementar políticas públicas na Amazônia. Em primeiro lugar, porque acabou com a velha idéia de que desmatamento era problema da área ambiental e tornou todos os ministérios, sobretudo os da área do desenvolvimento, co-responsáveis com a busca e a implementação de políticas públicas que eliminassem os incentivos diretos e indiretos criados em várias dessas políticas setoriais.

O plano se baseou em três eixos: o combate às práticas ilegais, o ordenamento territorial e fundiário e o apoio às atividades produtivas e sustentáveis. No período em que Marina Silva esteve à frente do Ministério do Meio Ambiente foi apreendido um milhão de metros cúbicos de madeira, presos mais de 700 criminosos, desmontadas mais de 1.500 empresas ilegais e inibidas 37 mil propriedades de grilagem. O trabalho do IBAMA contou com a ajuda da Polícia Federal, do Ministério da Defesa e do INCRA, setores que lidam com a agenda de combate a ilegalidades, no esforço de ampliação das ações de fiscalização e de inteligência.

Outro importante ganho estrutural foi à criação de 24 milhões de hectares de unidades de conservação (UCs) em áreas de fortíssima pressão da fronteira predatória, mudando procedimentos anteriores que criavam essas unidades em regiões remotas e de baixa pressão fundiária. Também foram homologados 10 milhões de hectares de áreas indígenas, além da criação dos distritos florestais sustentáveis, visando ao uso sustentável da madeira, com certificação e manejo florestal, para valorizar a floresta em pé.

O Plano também aperfeiçoou o sistema de monitoramento por satélite, criando o Sistema Deter, do INPE, (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) que permite o monitoramento quase em tempo real e torna a ação fiscaliza tória mais eficiente. Tudo isso disponível na internet para que a sociedade brasileira possa acompanhar e fazer o constrangimento ético a todos os agentes envolvidos na solução ao problema, tanto governo como setor empresarial.

O esforço do governo para reduzir o desmatamento na Amazônia permitiu ao Brasil rever as restrições que vinha apresentando no âmbito da Convenção de Mudanças Climáticas, da ONU, para assumir metas internas de redução de emissão de gases de efeito estufa, uma vez que o desmatamento representa 75% de nossas emissões, segundo o último relatório de emissões realizado pelo País. Essa importante revisão de posicionamento da diplomacia brasileira aconteceu na 13ª Conferência das Partes (COP) da Convenção de Mudanças Climáticas, realizada em dezembro de 2007, em Bali, quando liderou o grupo de 22 países em desenvolvimento que passou a aceitar o estabelecimento de metas voluntárias que possam ser medidas, notificadas e verificadas.

Aquela posição também credenciou o País para lançar nessa mesma COP-13 o Fundo Amazônia, um projeto piloto de incentivo à redução de emissões de gases de efeito estufa devido a desmatamento de florestas tropicais. Esse fundo - já adotado no Brasil - se constituiria de doações voluntárias de países e empresas. Na ocasião, a Noruega já anunciou a decisão de apoiar o fundo brasileiro com a doação inicial de US$ 1 bilhão.

Antes mesmo da realização da COP-13, o Presidente Lula assinou decreto instituindo o Grupo de Trabalho Interministerial que elaborou o projeto de lei que estabelece a Política Nacional de Mudanças Climáticas – já encaminhado ao Congresso Nacional - e o Plano Nacional de Mudanças Climáticas, colocado sob consulta pública para discussão pela sociedade.

No final de 2007, atendendo a proposições da então ministra, o Presidente Lula adotou novas e contundentes medidas para o combate ao desmatamento da Amazônia, diante de sinais de que as taxas poderiam voltar a crescer. Lista de municípios prioritários para ações preventivas para o controle dos desmatamentos, recadastramento de todos os imóveis rurais da região, embargo da produção agropecuária e de exploração madeireira nas áreas desmatadas ilegalmente e suspensão do crédito bancário para os ilegais foram algumas das medidas.

Às vésperas de sua saída do Ministério do Meio Ambiente, Marina Silva propôs e o Presidente aprovou a criação de uma linha de crédito para recuperação da área de reserva legal com espécies nativas. Foi uma das várias medidas previstas na Operação Arco Verde, lançada no dia 5 de maio, junto com Plano Amazônia Sustentável –PAS – e concebida para oferecer estímulos e iniciar o processo de resgate das atividades agropecuárias e florestais da região para a legalidade e sustentabilidade.

Ainda no primeiro mandato do Presidente Lula, Marina Silva propôs e viu aprovada a Lei sobre Gestão de Florestas Públicas, que regulariza o uso sustentável das florestas públicas brasileiras, além de criar o Serviço Florestal Brasileiro e o Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal. Quando saiu do Governo, a ex-ministra deixou o processo de licitação para a primeira concessão de exploração sustentável da floresta já em fase de avaliação das propostas.

No ministério do Meio Ambiente, Marina também encaminhou para a Presidência da República, entre outros, o anteprojeto de lei sobre Acesso a Recursos Genéticos, Conhecimentos Tradicionais e Repartição de Benefícios, assim como o projeto de lei que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, em tramitação no Congresso Nacional.

O combate ao desmatamento da Amazônia, cujas florestas estão sob o olhar atento de todo o mundo, foi um grande desafio para a ex-ministra enquanto ela esteve à frente do MMA. Mas foi também na administração de Marina Silva que o Ministério do Meio Ambiente criou um espaço institucional para a discussão, elaboração e implementação de política para cada bioma brasileiro, ao lado da Amazônia: para a Caatinga, o Cerrado, a Mata Atlântica, o Pampa, o Pantanal e para as Zonas Costeiras e Marinhas.

A vida política de Marina Silva começou em 1984, quando ela fundou a CUT no Acre, junto com Chico Mendes, ele coordenador, ela vice. Com a intensa atividade de Chico Mendes nos seringais de Xapuri, Marina assumia na maior parte do tempo a liderança do movimento sindical no Estado. E foi para ajudá-lo na candidatura a deputado estadual que Marina filiou-se ao PT em 1985, fazendo, nas eleições do ano seguinte, a dobradinha com o líder seringueiro e candidatando-se a deputada federal. Marina ficou entre os cinco candidatos mais votados no Estado, mas o PT não alcançou o quociente eleitoral e ela não conquistou a vaga para a Câmara Federal na Constituinte. Chico Mendes também não chegou à Assembléia Estadual.

Em 1988, foi eleita como a vereadora mais votada para a Câmara Municipal de Rio Branco e conquistou a única vaga da esquerda. Em dois anos de mandato como vereadora, Marina promoveu polêmicas que mudaram a política do Acre. Começou por devolver o dinheiro das gratificações, auxílio-moradia, e outras mordomias que os demais vereadores recebiam sem questionamento. Entrou com processo na justiça exigindo que todos fizessem o mesmo, mostrou nos jornais e na televisão o valor dos salários pagos aos vereadores, que a maioria da população desconhecia. Ganhou a oposição e até a ira dos adversários, mas recebeu uma solidariedade popular nunca antes destinada a nenhum político do Estado.

Em l990, candidatou-se a deputada estadual. Obteve novamente a maior votação. O PT e os partidos coligados elegeram três deputados estaduais e conseguiram colocar Jorge Viana, o candidato ao governo, no segundo turno das eleições. Marina não era mais uma voz solitária, transformara-se numa das lideranças de um movimento com grande força no Acre.

Uma pesquisa da Universidade do Acre, à época, mostrou que Marina teve a melhor atuação parlamentar entre os deputados estaduais naquele período. Campeã de tribuna, apartes, indicações e projetos, seu desempenho foi ainda mais surpreendente pelo fato de ter ficado mais de um ano afastada da Assembléia, por problemas de saúde. No final do primeiro ano de mandato, em uma viagem ao interior do Estado, passou mal e teve que ser trazida rapidamente para a capital e ser internada em um hospital. Começou um longo período de sofrimento, com seu estado de saúde agravando-se progressivamente sem que os médicos conseguissem detectar as causas.

Viajou para São Paulo, recorreu à ajuda de Lula, Telma de Souza, Genoíno e outros amigos do PT para conseguir um melhor tratamento e exames mais completos. Mas foi ela própria quem intuiu o diagnóstico: contaminação por metais. Os exames não detectavam isso e ninguém acreditava. Um dia, viu em uma revista o nome de um especialista no assunto e foi procurá-lo sozinha. Amostras de seu cabelo foram enviadas para um laboratório nos Estados Unidos e revelaram que sua suspeita era verdadeira: uma contaminação por metais pesados, provavelmente contraída nos tratamentos contra a leishmaniose, quando ainda vivia no seringal, havia progressivamente provocado prejuízos neurológicos e atingido vários de seus órgãos.

Um problema adicional: o tratamento não poderia ser iniciado imediatamente, pois Marina estava grávida de sua filha caçula, Mayara, que nasceria em meados de l992. Só depois do nascimento da filha, pode finalmente tomar os medicamentos capazes de combater a contaminação. Hoje, diz que recuperou "80 por cento" de suas capacidades, mais ainda vive sob uma rígida dieta da qual foram banidos os alimentos artificiais e toda espécie de enlatados. Mesmo assim, enfrentou estoicamente uma campanha para o Senado que exigiu freqüentes viagens por todo o Estado, de carro, avião, barco e até mesmo longos deslocamentos a pé.

Vencida a campanha, o passo seguinte era corresponder às grandes esperanças que o povo acreano depositava em sua atuação no Senado, que começou em 1995. Marina fez mais que isso: em pouco tempo tornou-se não apenas a principal voz da Amazônia, mas também uma importante referência na política nacional.

A história de vida de Marina Silva é povoada de grandes momentos. Mas ela nasceu em um ambiente simples. Numa colocação de seringa chamada Breu Velho, no Seringal Bagaço, a 70 quilômetros de Rio Branco. Hoje, o local é um projeto de assentamento de agricultores executado pelo INCRA, mas em 8 de fevereiro de l958, data de seu nascimento, não havia estradas e a longa viagem pelo rio tornava quase impossível qualquer assistência médica. As parteiras dos seringais "pegavam" as crianças e, com olho experiente, diagnosticavam se tinham ou não condições de "vingar" em meio à alta mortalidade infantil da floresta. Dos onze filhos de Pedro Augusto e Maria Augusta – pais de Marina Silva, três morreram ainda pequenos. Ela ficou sendo a segunda mais velha dos oito sobreviventes, sete mulheres e um homem.

A família baixou o rio para tentar a vida em Belém do Pará. Não deu certo. O pai trouxe todo mundo de volta ao seringal, fazendo uma enorme dívida com o patrão seringalista que pagou as despesas da viagem. As filhas foram o auxílio de que se valeu para pagar a dívida: Marina e as irmãs cortaram seringa, plantaram roçados, caçaram, pescaram, ajudaram a restabelecer as finanças e a estabilidade da família no seringal.

Escola não havia. Aos 14 anos Marina aprendeu a conhecer as horas no relógio e as quatro operações básicas da matemática para não ser enganada pelos regatões na venda da borracha. Aos 15 ficou órfã de mãe e, como a irmã mais velha havia casado, assumiu a chefia da casa e a criação dos irmãos mais novos. Mas aos 16 anos contraiu hepatite e teve que ir para a cidade, em busca de tratamento médico. Resolveu ficar, trabalhando como empregada doméstica, porque queria estudar. Tinha um sonho: ser freira. Havia aprendido com a avó as rezas e devoções da religião católica. Achava que na vida religiosa poderia formar seu caráter dentro da moralidade exigida pelas tradições dos nordestinos que povoaram os seringais da Amazônia, sendo seu pai um deles. Ao mesmo tempo, ficava fascinada pela possibilidade de estudar nas escolas da Igreja, que eram as melhores da região.

Começou a freqüentar as aulas do Mobral, depois o curso de Educação Integrada, onde aprendeu a ler e escrever. Foi morar com as freiras. Fez o supletivo de 1º grau. Matriculou-se no colegial, mas foi novamente no supletivo que obteve o diploma de 2º grau. Antes dos 20 anos, já se preparava para fazer o vestibular e entrar na universidade. A essa altura, já havia abandonado o sonho de ser freira. Freqüentando as reuniões das Comunidades Eclesiais de Base e aproximando-se dos grupos de teatro amador, percebeu que não aspirava à vida do convento, mas a ação no mundo. E que isso não representava nenhum prejuízo em suas convicções religiosas e morais. Nas lutas dos moradores de seu bairro, descobriu a política não-partidária dos movimentos sociais. Na escola, aproximou-se das lideranças do movimento estudantil.

Uma nova hepatite fez com que perdesse as provas do vestibular. Deixou o noivo Raimundo Souza esperando e pediu ajuda ao Bispo D. Moacir Grecchi para viajar a São Paulo em busca de tratamento. Quando voltou, o casamento adiou por mais um ano sua entrada na Universidade. Mas no ano seguinte, já grávida da primeira filha, iniciou o curso de História, que concluiu em quatro anos. Foi o padre João Carlos, da paróquia que freqüentava, quem sugeriu o nome hebraico Shalon para filha. Um ano depois, nasceu Danilo, nome colocado em homenagem a um amigo, artista plástico e companheiro do grupo de teatro.

Na universidade descobriu o marxismo. Entrou para o PRC, um dos vários grupos semi-clandestinos que atuavam na oposição ao regime militar. Começou a dar aulas de História e freqüentar as reuniões do movimento sindical dos professores. Casou-se duas vezes. Do segundo casamento, com Fabio Vaz de Lima, nasceram mais duas filhas: Moara e Mayara.

O horizonte de Marina Silva nunca parou de se alargar. Hoje, ao currículo onde reúne a experiência como professora de História, líder estudantil, sindical, vereadora, deputada estadual, senadora e ministra do Meio Ambiente Marina está juntando um curso de pós-graduação em Psicopedagogia, que deverá concluir ainda em 2008 e acrescentará mais um campo de atuação na história dessa ex-seringueira que até os 16 anos pouca sabia da vida urbana, mas já conhecia a fundo os segredos da floresta.

A biografia de Marina Silva fez com que ela fosse escolhida pelo jornal britânico The Guardian, em 2007, uma das 50 pessoas em condições de ajudar salvar o planeta. Mas sua lista de premiações e reconhecimentos nacionais e internacionais é longa. Entre muitos outros, ela recebeu o prêmio "2007 Champions of the Earth", o maior prêmio concedido pelas Nações Unidas na área ambiental. No dia 29 de outubro de 2008, a senadora recebeu das mãos do príncipe Philip da Inglaterra, no palácio de Saint James. em Londres, a medalha Duque de Edimburgo, em reconhecimento à sua trajetória e luta em defesa da Amazônia brasileira - o prêmio mais importante concedido pela Rede WWF. Em junho de 2009 recebeu o prêmio Sophie, por seu trabalho em defesa do maio ambiente, oferecido pela fundação norueguesa Sophie, criada pelo escritor norueguês Jostein Gaarder, autor do best seller "O Mundo de Sofia".Marina Silva está em seu segundo mandato no Senado Federal, com duração até 31 de janeiro de 2011. O primeiro mandato da senadora começou em fevereiro de 1995. De janeiro de 2003 a maio de 2008, ela esteve licenciada do Senado para assumir o Ministério do Meio Ambiente, de onde saiu no dia 13 de maio de 2008, retornando à Casa.

Eleita para o Senado pela primeira vez, aos 36 anos, pelo Partido dos Trabalhadores (PT), como representante do Acre, Marina Silva foi a senadora mais jovem da história da República, e a mais votada no Estado, com 42,77% dos votos válidos. Derrubando velhos caciques da política regional e rompendo com uma antiga tradição no Acre pela qual só chegavam ao Senado ex-governadores ou grandes empresários.

Atualmente, Marina Silva participa como membro titular das comissões de Meio Ambiente, e de Constituição e Justiça e preside a Subcomissão Temporária - Fórum das Águas das Américas e Fórum Mundial das Águas. É suplente nas comissões de Relações Exteriores e Defesa Nacional, de Educação, Cultura e Esporte, de Direitos Humanos e Legislação Participativa, e de Assuntos Econômicos.

Entre as mais de 100 proposições apresentadas pela senadora, desde o primeiro mandato, destacam-se 54 projetos de lei, dentre eles, o texto propondo a criação do Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal- FPE - para as unidades da Federação que abrigarem em seus territórios unidades de conservação da natureza e terras indígenas demarcadas.

Marina Silva também apresentou um projeto proibindo, por cinco anos, o plantio e a comercialização de alimentos contendo organismos geneticamente modificados (ogms) ou derivados, em todo o territorio nacional. Apresentou, ainda, projeto dispondo sobre os instrumentos de controle do acesso aos recursos genéticos do país.

Nos cinco anos do Governo Lula, Marina Silva optou por não fazer pirotecnia, mas trabalhar por políticas estruturantes, baseadas em quatro diretrizes básicas: maior participação e controle social; fortalecimento do sistema nacional de meio ambiente; transversalidade nas ações de Governo; e a promoção do desenvolvimento sustentável.

A ex-ministra sempre afirmou que fazia uma política de Governo. Para tanto, procurou imprimir na equipe do Governo Lula uma visão de trabalho integrado no tratamento das questões relacionadas com a proteção do meio ambiente. Foi assim, por exemplo, que o Governo passou a exigir dos aproveitamentos hidrelétricos a serem leiloados a obtenção da Licença Prévia, para que a viabilidade ambiental dos empreendimentos fosse avaliada antes da concessão para a exploração privada. Também baseado nessa diretriz, o Ministério, por intermédio do IBAMA, passou a ser ouvido prioritariamente antes da licitação dos blocos de petróleo e a variável ambiental começou a pontuar nas várias ações de Governo que envolviam o desenvolvimento sustentável.

Ministra do Meio Ambiente foi o primeiro cargo que Marina Silva exerceu no Executivo, a partir de janeiro de 2003. Convidada para continuar na equipe do segundo mandato do Presidente Lula, Marina Silva introduziu importantes reformas na estrutura do Ministério do Meio Ambiente. No primeiro mandato eram cinco secretarias, de Qualidade Ambiental, da Amazônia, de Biodiversidade e Florestas, de Desenvolvimento Sustentável e de Recursos Hídricos, que precisavam passar por mudanças.

A partir de 2007, o ministério começou a contar com uma nova estrutura, quando foi criada a Secretaria de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental que, entre outras atribuições, cuidaria do tema que passou a dominar as preocupações no mundo, as mudanças do clima. A nova estrutura foi completada com as secretarias de Biodiversidade e Florestas, de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano, de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável e a de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental.

Ao lado dessas secretarias, também foi criado o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade, uma autarquia com autonomia administrativa e financeira, para propor, implantar, gerir, proteger, fiscalizar e monitorar as unidades de conservação (UCs) federais, atividades que até então, eram desenvolvidas pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). A criação de uma autarquia específica para cuidar da gestão de unidades de conservação federais atendeu a uma reivindicação antiga do movimento ambientalista.

Antes, no primeiro mandato do governo Lula, já havia criado o Serviço Florestal Brasileiro e o Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal, para atuar na gestão florestas públicas federais e incentivar as praticas sustentáveis de atividades florestais, como o manejo florestal, o processamento de produtos florestais e a exploração de serviços florestais.

O IBAMA, reestruturado e fortalecido, pode melhor dedicar-se ao trabalho de execução dos processos de licenciamento ambiental, autorizações para uso sustentável dos recursos naturais, monitoramento e fiscalização de atividades predatórias.

Um novo formato para o sistema de licenciamento permitiu um aumento de 50% no total de licenciamentos ambientais entre 2003 e 2006, passando da média de 145 empreendimentos licenciados por ano para 220 licenciamentos de qualidade, com baixo grau de contestação judicial. Para que esses resultados pudessem ser obtidos, foram implementadas medidas de ordem estrutural. A antiga Coordenação Geral de Licenciamento Ambiental foi transformada em uma diretoria específica para o licenciamento, com três coordenações gerais: de empreendimentos de geração de energia hidrelétrica, de petróleo e gás e de transporte, mineração e obras civis.

Os recursos humanos para o licenciamento tiveram um tratamento especial. Em 2003, a equipe técnica da Coordenação-Geral era formada por sete servidores efetivos e 71 contratados temporariamente. Ao sair do MMA, Marina deixou na Diretoria de Licenciamento um quadro com 149 servidores efetivos e 31 temporários, num universo de 180 funcionários. Deixou, também, um sistema que disponibiliza na internet todas as informações relativas aos licenciamentos de competência do IBAMA, por meio do Sistema Informatizado de Licenciamento Ambiental (Sislic), como: relatórios de impacto ambiental, pareceres técnicos e editais de convocação de audiências públicas. Em quatro anos, o IBAMA concedeu licenças para 21 hidrelétricas, o que representa mais de 4.690 mw, todas sem judicialização.

O grande desafio que a ex-ministra encontrou em 2003 foi o crescimento acelerado do desmatamento da Amazônia. Quando o Governo Lula começou, o desmatamento estava em 27 mil quilômetros quadrados, a então ministra conseguiu levar o assunto para o centro de decisão do Governo com a criação pelo Presidente, em 2004, do Plano de Ação para Prevenção e o Controle do Desmatamento na Amazônia Legal, reunindo 14 ministérios, coordenados pela Casa Civil, com a secretaria-executiva exercida pelo Ministério do Meio Ambiente. Em três anos, o desmatamento na Amazônia caiu para 11 mil e quinhentos quilômetros quadrados, uma redução de 57% na área desmatada.

O Plano de Combate ao Desmatamento da Amazônia implementou uma verdadeira revolução no modo de elaborar e implementar políticas públicas na Amazônia. Em primeiro lugar, porque acabou com a velha idéia de que desmatamento era problema da área ambiental e tornou todos os ministérios, sobretudo os da área do desenvolvimento, co-responsáveis com a busca e a implementação de políticas públicas que eliminassem os incentivos diretos e indiretos criados em várias dessas políticas setoriais.

O plano se baseou em três eixos: o combate às práticas ilegais, o ordenamento territorial e fundiário e o apoio às atividades produtivas e sustentáveis. No período em que Marina Silva esteve à frente do Ministério do Meio Ambiente foi apreendido um milhão de metros cúbicos de madeira, presos mais de 700 criminosos, desmontadas mais de 1.500 empresas ilegais e inibidas 37 mil propriedades de grilagem. O trabalho do IBAMA contou com a ajuda da Polícia Federal, do Ministério da Defesa e do INCRA, setores que lidam com a agenda de combate a ilegalidades, no esforço de ampliação das ações de fiscalização e de inteligência.

Outro importante ganho estrutural foi à criação de 24 milhões de hectares de unidades de conservação (UCs) em áreas de fortíssima pressão da fronteira predatória, mudando procedimentos anteriores que criavam essas unidades em regiões remotas e de baixa pressão fundiária. Também foram homologados 10 milhões de hectares de áreas indígenas, além da criação dos distritos florestais sustentáveis, visando ao uso sustentável da madeira, com certificação e manejo florestal, para valorizar a floresta em pé.

O Plano também aperfeiçoou o sistema de monitoramento por satélite, criando o Sistema Deter, do INPE, (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) que permite o monitoramento quase em tempo real e torna a ação fiscaliza tória mais eficiente. Tudo isso disponível na internet para que a sociedade brasileira possa acompanhar e fazer o constrangimento ético a todos os agentes envolvidos na solução ao problema, tanto governo como setor empresarial.

O esforço do governo para reduzir o desmatamento na Amazônia permitiu ao Brasil rever as restrições que vinha apresentando no âmbito da Convenção de Mudanças Climáticas, da ONU, para assumir metas internas de redução de emissão de gases de efeito estufa, uma vez que o desmatamento representa 75% de nossas emissões, segundo o último relatório de emissões realizado pelo País. Essa importante revisão de posicionamento da diplomacia brasileira aconteceu na 13ª Conferência das Partes (COP) da Convenção de Mudanças Climáticas, realizada em dezembro de 2007, em Bali, quando liderou o grupo de 22 países em desenvolvimento que passou a aceitar o estabelecimento de metas voluntárias que possam ser medidas, notificadas e verificadas.

Aquela posição também credenciou o País para lançar nessa mesma COP-13 o Fundo Amazônia, um projeto piloto de incentivo à redução de emissões de gases de efeito estufa devido a desmatamento de florestas tropicais. Esse fundo - já adotado no Brasil - se constituiria de doações voluntárias de países e empresas. Na ocasião, a Noruega já anunciou a decisão de apoiar o fundo brasileiro com a doação inicial de US$ 1 bilhão.

Antes mesmo da realização da COP-13, o Presidente Lula assinou decreto instituindo o Grupo de Trabalho Interministerial que elaborou o projeto de lei que estabelece a Política Nacional de Mudanças Climáticas – já encaminhado ao Congresso Nacional - e o Plano Nacional de Mudanças Climáticas, colocado sob consulta pública para discussão pela sociedade.

No final de 2007, atendendo a proposições da então ministra, o Presidente Lula adotou novas e contundentes medidas para o combate ao desmatamento da Amazônia, diante de sinais de que as taxas poderiam voltar a crescer. Lista de municípios prioritários para ações preventivas para o controle dos desmatamentos, recadastramento de todos os imóveis rurais da região, embargo da produção agropecuária e de exploração madeireira nas áreas desmatadas ilegalmente e suspensão do crédito bancário para os ilegais foram algumas das medidas.

Às vésperas de sua saída do Ministério do Meio Ambiente, Marina Silva propôs e o Presidente aprovou a criação de uma linha de crédito para recuperação da área de reserva legal com espécies nativas. Foi uma das várias medidas previstas na Operação Arco Verde, lançada no dia 5 de maio, junto com Plano Amazônia Sustentável –PAS – e concebida para oferecer estímulos e iniciar o processo de resgate das atividades agropecuárias e florestais da região para a legalidade e sustentabilidade.

Ainda no primeiro mandato do Presidente Lula, Marina Silva propôs e viu aprovada a Lei sobre Gestão de Florestas Públicas, que regulariza o uso sustentável das florestas públicas brasileiras, além de criar o Serviço Florestal Brasileiro e o Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal. Quando saiu do Governo, a ex-ministra deixou o processo de licitação para a primeira concessão de exploração sustentável da floresta já em fase de avaliação das propostas.

No ministério do Meio Ambiente, Marina também encaminhou para a Presidência da República, entre outros, o anteprojeto de lei sobre Acesso a Recursos Genéticos, Conhecimentos Tradicionais e Repartição de Benefícios, assim como o projeto de lei que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, em tramitação no Congresso Nacional.

O combate ao desmatamento da Amazônia, cujas florestas estão sob o olhar atento de todo o mundo, foi um grande desafio para a ex-ministra enquanto ela esteve à frente do MMA. Mas foi também na administração de Marina Silva que o Ministério do Meio Ambiente criou um espaço institucional para a discussão, elaboração e implementação de política para cada bioma brasileiro, ao lado da Amazônia: para a Caatinga, o Cerrado, a Mata Atlântica, o Pampa, o Pantanal e para as Zonas Costeiras e Marinhas.

A vida política de Marina Silva começou em 1984, quando ela fundou a CUT no Acre, junto com Chico Mendes, ele coordenador, ela vice. Com a intensa atividade de Chico Mendes nos seringais de Xapuri, Marina assumia na maior parte do tempo a liderança do movimento sindical no Estado. E foi para ajudá-lo na candidatura a deputado estadual que Marina filiou-se ao PT em 1985, fazendo, nas eleições do ano seguinte, a dobradinha com o líder seringueiro e candidatando-se a deputada federal. Marina ficou entre os cinco candidatos mais votados no Estado, mas o PT não alcançou o quociente eleitoral e ela não conquistou a vaga para a Câmara Federal na Constituinte. Chico Mendes também não chegou à Assembléia Estadual.

Em 1988, foi eleita como a vereadora mais votada para a Câmara Municipal de Rio Branco e conquistou a única vaga da esquerda. Em dois anos de mandato como vereadora, Marina promoveu polêmicas que mudaram a política do Acre. Começou por devolver o dinheiro das gratificações, auxílio-moradia, e outras mordomias que os demais vereadores recebiam sem questionamento. Entrou com processo na justiça exigindo que todos fizessem o mesmo, mostrou nos jornais e na televisão o valor dos salários pagos aos vereadores, que a maioria da população desconhecia. Ganhou a oposição e até a ira dos adversários, mas recebeu uma solidariedade popular nunca antes destinada a nenhum político do Estado.

Em l990, candidatou-se a deputada estadual. Obteve novamente a maior votação. O PT e os partidos coligados elegeram três deputados estaduais e conseguiram colocar Jorge Viana, o candidato ao governo, no segundo turno das eleições. Marina não era mais uma voz solitária, transformara-se numa das lideranças de um movimento com grande força no Acre.

Uma pesquisa da Universidade do Acre, à época, mostrou que Marina teve a melhor atuação parlamentar entre os deputados estaduais naquele período. Campeã de tribuna, apartes, indicações e projetos, seu desempenho foi ainda mais surpreendente pelo fato de ter ficado mais de um ano afastada da Assembléia, por problemas de saúde. No final do primeiro ano de mandato, em uma viagem ao interior do Estado, passou mal e teve que ser trazida rapidamente para a capital e ser internada em um hospital. Começou um longo período de sofrimento, com seu estado de saúde agravando-se progressivamente sem que os médicos conseguissem detectar as causas.

Viajou para São Paulo, recorreu à ajuda de Lula, Telma de Souza, Genoíno e outros amigos do PT para conseguir um melhor tratamento e exames mais completos. Mas foi ela própria quem intuiu o diagnóstico: contaminação por metais. Os exames não detectavam isso e ninguém acreditava. Um dia, viu em uma revista o nome de um especialista no assunto e foi procurá-lo sozinha. Amostras de seu cabelo foram enviadas para um laboratório nos Estados Unidos e revelaram que sua suspeita era verdadeira: uma contaminação por metais pesados, provavelmente contraída nos tratamentos contra a leishmaniose, quando ainda vivia no seringal, havia progressivamente provocado prejuízos neurológicos e atingido vários de seus órgãos.

Um problema adicional: o tratamento não poderia ser iniciado imediatamente, pois Marina estava grávida de sua filha caçula, Mayara, que nasceria em meados de l992. Só depois do nascimento da filha, pode finalmente tomar os medicamentos capazes de combater a contaminação. Hoje, diz que recuperou "80 por cento" de suas capacidades, mais ainda vive sob uma rígida dieta da qual foram banidos os alimentos artificiais e toda espécie de enlatados. Mesmo assim, enfrentou estoicamente uma campanha para o Senado que exigiu freqüentes viagens por todo o Estado, de carro, avião, barco e até mesmo longos deslocamentos a pé.

Vencida a campanha, o passo seguinte era corresponder às grandes esperanças que o povo acreano depositava em sua atuação no Senado, que começou em 1995. Marina fez mais que isso: em pouco tempo tornou-se não apenas a principal voz da Amazônia, mas também uma importante referência na política nacional.

A história de vida de Marina Silva é povoada de grandes momentos. Mas ela nasceu em um ambiente simples. Numa colocação de seringa chamada Breu Velho, no Seringal Bagaço, a 70 quilômetros de Rio Branco. Hoje, o local é um projeto de assentamento de agricultores executado pelo INCRA, mas em 8 de fevereiro de l958, data de seu nascimento, não havia estradas e a longa viagem pelo rio tornava quase impossível qualquer assistência médica. As parteiras dos seringais "pegavam" as crianças e, com olho experiente, diagnosticavam se tinham ou não condições de "vingar" em meio à alta mortalidade infantil da floresta. Dos onze filhos de Pedro Augusto e Maria Augusta – pais de Marina Silva, três morreram ainda pequenos. Ela ficou sendo a segunda mais velha dos oito sobreviventes, sete mulheres e um homem.

A família baixou o rio para tentar a vida em Belém do Pará. Não deu certo. O pai trouxe todo mundo de volta ao seringal, fazendo uma enorme dívida com o patrão seringalista que pagou as despesas da viagem. As filhas foram o auxílio de que se valeu para pagar a dívida: Marina e as irmãs cortaram seringa, plantaram roçados, caçaram, pescaram, ajudaram a restabelecer as finanças e a estabilidade da família no seringal.

Escola não havia. Aos 14 anos Marina aprendeu a conhecer as horas no relógio e as quatro operações básicas da matemática para não ser enganada pelos regatões na venda da borracha. Aos 15 ficou órfã de mãe e, como a irmã mais velha havia casado, assumiu a chefia da casa e a criação dos irmãos mais novos. Mas aos 16 anos contraiu hepatite e teve que ir para a cidade, em busca de tratamento médico. Resolveu ficar, trabalhando como empregada doméstica, porque queria estudar. Tinha um sonho: ser freira. Havia aprendido com a avó as rezas e devoções da religião católica. Achava que na vida religiosa poderia formar seu caráter dentro da moralidade exigida pelas tradições dos nordestinos que povoaram os seringais da Amazônia, sendo seu pai um deles. Ao mesmo tempo, ficava fascinada pela possibilidade de estudar nas escolas da Igreja, que eram as melhores da região.

Começou a freqüentar as aulas do Mobral, depois o curso de Educação Integrada, onde aprendeu a ler e escrever. Foi morar com as freiras. Fez o supletivo de 1º grau. Matriculou-se no colegial, mas foi novamente no supletivo que obteve o diploma de 2º grau. Antes dos 20 anos, já se preparava para fazer o vestibular e entrar na universidade. A essa altura, já havia abandonado o sonho de ser freira. Freqüentando as reuniões das Comunidades Eclesiais de Base e aproximando-se dos grupos de teatro amador, percebeu que não aspirava à vida do convento, mas a ação no mundo. E que isso não representava nenhum prejuízo em suas convicções religiosas e morais. Nas lutas dos moradores de seu bairro, descobriu a política não-partidária dos movimentos sociais. Na escola, aproximou-se das lideranças do movimento estudantil.

Uma nova hepatite fez com que perdesse as provas do vestibular. Deixou o noivo Raimundo Souza esperando e pediu ajuda ao Bispo D. Moacir Grecchi para viajar a São Paulo em busca de tratamento. Quando voltou, o casamento adiou por mais um ano sua entrada na Universidade. Mas no ano seguinte, já grávida da primeira filha, iniciou o curso de História, que concluiu em quatro anos. Foi o padre João Carlos, da paróquia que freqüentava, quem sugeriu o nome hebraico Shalon para filha. Um ano depois, nasceu Danilo, nome colocado em homenagem a um amigo, artista plástico e companheiro do grupo de teatro.

Na universidade descobriu o marxismo. Entrou para o PRC, um dos vários grupos semi-clandestinos que atuavam na oposição ao regime militar. Começou a dar aulas de História e freqüentar as reuniões do movimento sindical dos professores. Casou-se duas vezes. Do segundo casamento, com Fabio Vaz de Lima, nasceram mais duas filhas: Moara e Mayara.

O horizonte de Marina Silva nunca parou de se alargar. Hoje, ao currículo onde reúne a experiência como professora de História, líder estudantil, sindical, vereadora, deputada estadual, senadora e ministra do Meio Ambiente Marina está juntando um curso de pós-graduação em Psicopedagogia, que deverá concluir ainda em 2008 e acrescentará mais um campo de atuação na história dessa ex-seringueira que até os 16 anos pouca sabia da vida urbana, mas já conhecia a fundo os segredos da floresta.

A biografia de Marina Silva fez com que ela fosse escolhida pelo jornal britânico The Guardian, em 2007, uma das 50 pessoas em condições de ajudar salvar o planeta. Mas sua lista de premiações e reconhecimentos nacionais e internacionais é longa. Entre muitos outros, ela recebeu o prêmio "2007 Champions of the Earth", o maior prêmio concedido pelas Nações Unidas na área ambiental. No dia 29 de outubro de 2008, a senadora recebeu das mãos do príncipe Philip da Inglaterra, no palácio de Saint James. em Londres, a medalha Duque de Edimburgo, em reconhecimento à sua trajetória e luta em defesa da Amazônia brasileira - o prêmio mais importante concedido pela Rede WWF. Em junho de 2009 recebeu o prêmio Sophie, por seu trabalho em defesa do maio ambiente, oferecido pela fundação norueguesa Sophie, criada pelo escritor norueguês Jostein Gaarder, autor do best seller "O Mundo de Sofia".



Fonte: Senado Federal

Nota: A Senadora Marina Silva é pré-candidata à Presidência da República para as eleição de 2010, pelo Partido Verde.

Para que servem as provações



João Cruzué

Por que será que o Senhor Deus sendo tão bondoso, dono do ouro e da prata, permite que cristãos fiéis sofram? Aparentemente é um contra-senso a visão de ímpios vivendo regaladamente, incrédulos se "dando" bem na vida enquanto honestos filhos de Deus estejam comendo a poeira do deserto. Uma corrente filosófica diz que Deus criou mesmo o mundo e os seres humanos, mas que os deixou à mercê das circunstâncias e da própria sorte a semelhança de uma tartaruga marinha. Quero dar meu testemunho para desmentir este sofisma.

Entre 31 de julho de 1992 e 13 de julho de 2003, eu fiquei desempregado. Bati em muitas portas, fiz muitas entrevistas, enviei centenas de currículos, falhando em todas as tentativas, exceto uma.

Neste tempo perdi quase tudo que possuía. Para reduzir a despesa doméstica cortei os gastos de quase tudo. Tiramos nossa primeira filha da escola particular. Vendemos nossa linha de telefone. Nossa segundo filha estou do ensino básico ao colégio em escola pública. Até nossa comida foi medida, até o ponto de voltar do supermercado com meio kilo de café e dar graças a Deus em casa com lágrimas nos olhos.

Por falta de melhores oportunidades fui para o sítio plantar mandiocas. À mão. Na vida espiritual Deus me chamou para juntar literatura usada de Escola Dominical para mandar para as igrejas do cárcere dentro das penitenciárias do Estado de São Paulo.

Mas em julho de 2003, onze anos depois, uma porta se abriu. Era um contrato de emergência para ser contador em um Hospital da Zona sul de São Paulo. No ano seguinte houve o concurso, e recebi a contratação definitiva. Durante aqueles seis anos vi muita gente nova chegando e tomando cargos maiores que por direito de oportunidade seriam meus. Todavia eu mantive um princípio: o que Deus me desse ninguém tomaria. 

Em 2009, fui convidado a deixar o posto para fazer parte da equipe de contadores da Secretaria de Finanças do Município de São Paulo. Fui aprovado em entrevista feita com o próprio Secretário. Só que eu seria emprestado. Ficaria por lá à mercê do tempo e dos ventos. Entretanto, era um grande honra. Não são todos os que são convidados para trabalhar naquele departamento

Mas surgiu outra oportunidade ainda maior.

Há poucos dias recebi um telegrama. Antes de assumir o novo cargo. Pensei que era alguma conta atrasada ou coisa parecida. Mas não era. Falava de concurso. Uma convocação do Tribunal de Contas do Estado para a cerimônia de nomeação em um cargo muito importante. Salário quase duas vezes maior.

Buscando na memória alguma lembrança do tal concurso fui parar em 11 de dezembro de 2005. Foi a data da prova. Não é qualquer dia que um concurso de validade por dois anos, é prorrogado por mais dois e alguém lhe manda um telegrama para vir escolher a vaga depois de quatro anos. Foi o Senhor que me deu. E avisou que Ele foi o autor da oportunidade.

Isto aconteceu comigo neste mês de novembro.

O Senhor permitiu que eu fosse provado. Amassado. Afinado. Provasse a poeira do deserto. Chamado de "coitadinho" pelos familiares. E aos 54 anos quando os familiares achavam que minha vida sempre seria medíocre, algo aconteceu. Ele me concedeu duas oportunidades ao mesmo tempo. Uma, ainda maior que a primeira. Então eu entendi que Deus não nos trata como estranhos. Ele nos corrige e até deixa passar por provações para que depois os olhos de todos vejam o tamanho da bênção que ele reservou para nós.

Se você está no deserto comendo poeira e sob sol forte, não desanime. Mantenha-se ocupado na vida material e arranje alguma coisa de Deus para trabalhar na Igreja, no plano espiritual. Não descuide dos exercícios físicos nem da oração. Mantenha equilibrados o corpo e a alma. O Senhor não se esqueceu de você. Ele não vai tirar você do deserto. Nem da fornalha. A presença dele ao seu lado é uma promessa fiel. E um dia, quando você nem estiver esperando mais, ele vai fazer com você a mesma coisa que fez comigo.

Uma maravilhosa supresa!

As provações são tempos de nossa vida que antecedem as grandes bênçãos. Basta ser fiel no pouco. E não ficar deitado no pó. Todo dia é dia de se levantar , e orar, e contar os dias que faltam para o dia da sua vitória. É durante as provações que aprendemos como é que se diz: muito obrigado Jesus! com a alma.

A Política Evangélica: Irmão vota em irmão?



João Cruzué

As pessoas
 
não cristãs cobram dos crentes um posição interessante. Elas dizem: Crentes devem cuidar de religião e ficarem fora da política. Um sofisma hipócrita que parece verdade na cabeça de muitos irmãos. No fundo eles estão dizendo que não querem os crentes envolvidos com política para que o destino da nação fique apenas nas mãos de ímpios e incrédulos.

Nós, os crentes em Cristo, devemos ser sal e luz em todas as áreas e extratos sociais.
 Por outrolado, quanto aos políticos evangélicos que trouxeram escândalo à Igreja e à sociedade, eles foram reprovados e não merecem mais o seu voto.

Nada contra votar em pastor, filho de pastor, sobrinha de pastor. Acho correto que em tempos de "lei" de homofobia, por exemplo, e outras coisas piores que virão por aí, o bordão políticoirmão vota em irmão é razoável. Mas no dia que qualquer deles pisarem na cruz por insuficiência moral e atos desonestos, réprobos, escandalosos, eu tenho uma opinião: NUNCA MAIS VOTE NELE!

Não se deixe enganar com desculpas espertas.

Nem que um anjo desça do céu e lhe peça o voto. Nem se um Pastor presidente venha jurar para que conceda outra oportunidade. Se você tornar a votar 
em um político que trouxe má fama para o povo crente, infelizmente, é por burrice sua. Vou dizer mais, não pode haver lealdade nem compromisso com o ministério que justifique o voto em um quem jogou lama no testemunho da Igreja.

Se você não der o seu recado de forma bem clara nas urnas, eles e seus criadores nunca vão aprender.
 Chega de evangélico sem caráter na política. Eles sinalizam à sociedade que os pastores evangélicos são homens corruptos. Farinha do mesmo saco.

É isso que 
penso, e não pode ser por menos. Irmão vota em irmão? Certo, mas o compromisso permanece tão somente enquanto ele der bom testemunho de cristão.