segunda-feira, 26 de outubro de 2009

João Cruzue - Meu testemunho cristão

Quem Somos

João Cruzué, 53 anos


"Sei que a humildade nos aproxima de Deus. mas como é difícil
trilhar o caminho inverso, considerando que sou mais propenso à vaidade."


Sou um cristão bem simples, evangélico, com poucas virtudes e muitos defeitos. Sou natural de Ponte Nova/MG, filho de agricultores, nasci e me criei na "roça" no Vale do Rio Doce. Aos 18 anos, 1974, como todo jovem de minha época vim para estudar e trabalhar em São Paulo. Em 1985, conclui o bacharelado em Ciências Contábeis pela Faculdade de Economia São Luís. Aceitei Jesus como meu Senhor e salvador pessoal tão logo cheguei aqui, onde ainda estou. Batizei-me na Igreja Pentecostal Deus é Amor, em 1975, nas águas da Represa do Guarapiranga; e fui batizado também com o Espírito Santo em vigília da IPDA no antigo Cine Coliseu, no Bairro do Tucuruvi.

O motivo da minha ida à Igreja dos crentes foi a curiosidade em vê-los falar em outras línguas pelo dom do Espírito Santo. Meus pais eram muito católicos e minha decisão trouxe muito desgosto. Minha mãe veio a São Paulo com o firme propósito de me dissuadir do protestantismo. Seguindo sua instrução católica, ordenou que jogasse a Bíblia fora. Isto aconteceu em um sábado dia de "Culto da Mocidade". Não possuindo ainda a experiência necessária, também deu um ultimato: se não fosse comigo para o culto, que tomasse o caminho da volta. Ela voltou para o sítio no outro dia, muito ressentida.

Doze anos depois, foi ela também a igreja católica para aceitar o Jesus na Igreja Presbiteriana. Nos dois anos seguintes, foi a vez de meu pai. Pai Melo faleceu em 1997 - já com oito anos de fé. Ele deixou para trás uma Bíblia com as páginas amarfanhadas e muito gastas de tanto uso. Gostava de se levantar às 05:30 da manhã para assistir as pregações do missionário R.R Soares, da Igreja da Graça. Lembro-me que xingava muito, mas ao se tornar um crente, nunca mais blasfemou. Passou quase uma vida inteiro no "cabo de uma enxada". Suas mãos com tantos calos, não fechava mais. Era honesto, honrado, persistente e muito trabalhador. Jesus o amava e por isso não deixou que morresse na idolatria católica.

No ano de 1974, Além de ter aceitado Jesus, também passei no vestibular. No ano seguinte eu comecei o primeiro ano de Economia na Faculdade de Economia São Luís, na Rua Hadock Lobo. A mesma Faculde onde se formou Guilherme Afif Domingues. Mas eu desisti do curso por causa de uma visão. Eu me vi uma criança que precisava de cuidados para fortalecer a fé. Creio que era a voz de Deus. Na visão eu estava com outros estudantes dentro de um elevador que caia no prédio da faculdade. O Interessante é que o prédio e os elevadores ainda não existiam naquele ano.

No ano seguinte, teimei e decidi voltar aos estudos. A Faculdade já estava no prédio novo. Com elevadores. E nos primeiros meses de 1976, eu estava dentro de um deles quando alguma coisa se quebrou e ele foi descendo aos trancos, com um colega apertando e soltando o dedo no freio. Foi a confirmação da visão. Desisti. E mesmo que quisesse, não tinha "$". Só Voltei a estudar em 1981, seis anos depois, e já firme na fé. Em 1985 me graduei, não mais em economia, mas em Ciências Contábeis.

No período fora da faculdade, fiz dois anos de inglês no Instituto Roosevelt, na Rua 24 de Maio - mesma rua onde trabalhava em um escritório de contabilidade para empresas estrangeiras. A contabilidade na língua inglesa, com os famosos "FASBs", para empresas de vários lugares do mundo, tornou-se familiar para mim. Nossa admissão naquele emprego foi muito interessante: o gerente de pessoal não queria admitir-me, pois um certo crente, tempos antes, dera muito trabalho no escritório: ele costumava subir na mesa para pregar no horário de trabalho.

Sobre meus primeiros anos de fé, quero contar um testemunho. Certo patrão meu, mandou-me a uma padaria para lhe comprar um maço de cigarros. Eu não fui. E ele deu-me o maior esculacho, na frente de dezenas de colegas, ameaçando-me demissão por causa daquilo. Respondi, que não fora porque o cigarro dava câncer. Que eu gostava dele o suficiente para não lhe comprar os cigarros. O fato é que ele não me despediu. No ano seguinte, quando pedi para sair ele me ofereceu de tudo para que não deixasse a empresa. Não muitos anos depois ele morreu de câncer na garganta.

Eu estava com muitas saudades da roça e voltei para o sítio de meus pais em 1977. Ali passei a congregar na Igreja Assembléia de Deus. Os pais mais católicos ainda. Somente dez anos mais tarde eles se converteriam. A aflição debaixo do catolicismo romano era grande. Mãe implicava muito comigo com discriminação, humilhação, desprezo, mais eu continuava inflexível. Certa vez, ela muito nervosa questionava minhas constantes idas à Igreja, aos sábados. Eu, calado, amarrava o cordão do sapato. Ela ainda se lembra disso. Depois de muito falar, eu lhe respondi: Mãe, a semana já terminou mesmo, eu gosto de ir na Igreja. No final daquele ano, ela convenceu meu pai, e me "convidaram" a deixar a casa deles. Por trás daquela atitude estava a fúria de um padre católico. Ele cobrava deles a culpa de meu "desvio".

O Senhor cuidou do assunto, quando um primo esteve por lá e convidou-me para voltar a São Paulo. Talvez a pedido deles mesmos. Eu tinha 21 anos; a frustração durou algum tempo, mas passou. A porta se fechou, dentro da vontade de Deus, mas eu custei a perceber isso.

O primeiro dom que Jesus me deu-me foi o de tocar instrumentos de cordas. Fui guitarrista por 14 anos. Tocando e liderava bandas onde congregasse. Fui Professor de escola dominical classe de jovens por 10 anos. Depois em classe de novos convertidos, na EBD cujo superintendente era o Pastor Laerço do Santos, no bairro do Capão Redondo.


Fui trocando a área de louvor pelo evangelismo. No Bairro do Capão Redondo, no anos de 1988 e 89 tive o privilégio de participar durante um ano de um grupo de evangelismo pela madrugada. Embora a fama do bairro era de muita violência, Deus falou conosco que nos guardaria e assim aconteceu.
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a foto mais bonita que consegui
"Uma cristã chinesa orando em línguas"

Sempre gostei de usar literatura na evangelização.Trouxe algumas toneladas de "booklets" e Evangelhos de João com literatura de origens americana e Inglesa. "Auxílio do Alto", "Como Conhecer a Deus" "O Poder de Deus" "O Caminho para Deus", entre outros títulos - vinham em caixas de 4kg pelo correio da World Missionary Press, Inc para mim e para irmãos espalhados pelo Brasil afora cujos nomes e endereços eu fazia chegar até o irmão Jay Benson da W.M.Press. Eu e minha filha caçula, muitas vezes íamos aos Correios do "Centro Empresarial de São Paulo" para buscar várias caixas. Às vezes precisávamos de dar várias viagens. Talvez por isso, entre outras coisas que ela sempre adorou frequentar a Igreja sem que nunca precisasse pedir.

O fato mais marcante em minha vida espiritual foi um longo desemprego de 11 anos, nos quais procurei sobreviver honestamente de todas as formas possíveis através das pequenas portas que o Senhor nos abria. Fui vendedor de convênios da Unimed Paulistana. Passamos por um grande prejuízo ao tentar, nos estabelecer como comerciantes. A isso podemos acrescentar as excursões "bate e volta" com minha esposa para o Paraguai no final dos anos 80. Também com ela na ornamentação de eventos nas Igrejas...

Quero comentar um pouco de minha esposa. Seu grande sonho era ser professora. Começou estudar aos nove anos, porque os pais achavam que a escola lhe era desnecessária. Ela se graduou em pedagogia em 2006. Os estudos de sua faculdade, o Senhor prometeu bancar. Prometeu e cumpriu. Ela consegui aluns suficientes para duas novas classes, e a Universidade lhe concedeu uma bolsa de estudos integral.

Me casei em 1983 seguindo a orientação do Senhor. Ele mostrou a jovem que seria minha esposa no dia do meu 26º aniversário. Noivamos e casamos no mesmo ano.

No princípio de nosso casamento o dinheiro vinha farto. Cinco anos depois as coisas começaram a mudar. Eu fiquei desempregado de agosto/1992 até julho/2003. E se não fosse por ela, minhas filhas teriam passado fome de verdade. Nossa casa, financiada pelo BNH. Isto só não aconteceu porque, no último dia de prazo dado (acordo) pelo escritório de cobrança, apareceu um irmã em nossa casa com o dinheiro de sua caderneta de poupança.

Durante os anos de nossas dificuldades financeiras, aprendi ser crente em Jesus também de bolso vazio. Certo dia, eu consegui comprar meio quilo de café e chegando em casa eu dei graças e chorei. Eu tinha acaba de aprender um fundamento cristão: aprender o valor das coisas pequenas, para não se esquecer disso no tempo das vacas gordas.

Em meio as lutas a vida espiritual ia bem. De 1994 até meados de 2000, tivemos o privilégio de dirigir nossa primeira congregação: A Igreja Evangélica Assembléia de Deus do Parque Santo Antônio, um dos bairros mais violentos da Zona Sul de São Paulo. Eu e minha esposa cuidamos desta Igreja por quase seis anos. Eu orava muito para que pudesse acrescentar pessoas à Igreja em lugar de desmontá-la.

O que de melhor havia nesta Igreja era o louvor de um grupo de mais de 30 crianças. Nossa filha mais nova, na época com seis anos, fazia parte deste grupo. Deus lhe deu uma unção no louvor tão maravilhosa, que ao solar os hinos da "Shirley" e da "Cassiane", populares naqueles anos, a presença do Senhor tomava a igreja. Era um grupo formado por crianças pobres que moravam (quase todas) em cortiços e favelas. Bem uniformizadas e cantando muito bonito, chegaram a cantar em eventos no Brooklin, e por isso, receberam convite para se apresentar nas festas de Natal no Anhembi.

E tudo isso começou no dia que chegamos na Igreja para participar da Escola Dominical. Eu estava começando a pastorear e vi as crianças ajoelhadas no chão frio, desenhando suas lições debruçadas sobre os bancos de madeira. havia um marceneiro na Igreja. ele e eu cuidamos de fabricar mesas desmontáveis, que ainda estão na Igreja até hoje. Eu não queria que nunca mais uma criança dali precisasse ficar de joelhos no cimento frio para desenhar na sua lição. Houve um grande aumento no número de crianças. E deve ter sido por isso que Deus nos presenteou com um coro infantil tão maravilhoso.

Se de um lado a luta financeira era muito grande, por outro não tinha do que me envergonhar. Eu aprendera a fazer jejuns para Jesus batizar os crentes daquela Igreja com o Espírito Santo. Por duas vezes eu tinha orado e não acontecia nada. Voltava envergonhado para casa. Até que um dia experimentei fazer jejuns longos para ver o que acontecia. Depois disso, eu não esperava mais que o anjo agitasse as águas do "Tanque de Betesda". Sempre que orava, na Ceia do Senhor, para que Jesus batizasse os crentes com o Espírito Santo, antes eu jejuava. Assim nunca mais passei vergonha.

Precisei deixar aquela congregação por motivos familiares. Pedi licença ao Pastor supervisor, por seis meses, para resolver um problema. Minha mãe, já viúva morava só e passava por problemas bem difíceis. Neste tempo lavrava os três anos finais de meus 11 anos de desemprego. O Pastor, um português que orava muito pelas madrugadas, não aprovou nossa saída, mas disse que o Senhor me abençoaria na tarefa que iria fazer. E isso se cumpriu.

Na época tinha planos de mudança, que não foram aprovado por Deus. Meus colegas de ministério não compreenderam bem minha preocupação com minha mãe, e viraram-me o rosto a partir daquele momento. Quando conclui o que me propus a fazer em beneficio dela, eu fui congregar na Congregação que supervisionava minha cooperação anterior. Eu era presbítero, acho que pensaram que eu tinha interesse e dirigir aquele lugar. Embora estivesse no púlpito, fiquei um ano sem poder pregar a palavra, exceção de uma única vez. Foi um cala-boca e tanto. Era Deus trabalhando em minha vida para que eu viesse a focar 100% no uso de blogas para publicar conteúdo cristão. Cheguei a conclusão de que quando você prega, fala para uma ou duas centenas de pessoas, uma vez por semana - quando tem oportunidade. Usando blogs, hoje, são 1.200 leitores em média por dia. O cala-boca foi a melhor coisa que aconteceu comigo para que se me abrissem os olhos de vez para enxergar o mundo inteiro.

Antes disso e nos quatro anos seguintes, sem congregação para dirigir Deus foi mudando o rumo de minha vida. Primeiro veio um ministério que eu jamais teria interesse se não estivesse quebrantado. Evangelizar presidiários. Vou detalhar o assunto.

No começo de 2001, depois das festas, estava em casa sozinho, quando achei no portão a carta de um presidiário de Avaré. Uma penitenciária que três meses depois, para que em seu lugar fosse construído um presídio de segurança máxima - RDD. O preso era crente, escreveu pedindo literatura,e chegou até a mim através de um carimbo em folheto distribuido cinco anos atrás. Assim:

Cortesia
Missão Evangélica Jerusalém
Rua tal
São Paulo - SP.

Meu pastor, um português, tinha péssimas lembranças de presos. Tentou me desestimular. Chegou mesmo a dizer que não reu eceberia nenhum reconhecimento do ministério ao trabalhar com eles. Minha família, da mesma forma nunca aprovou. Para complicar 29 rebeliões estouraram justo no mesmo tempo - 18/02/2001. Era o batismo do PCC nas manchetes dos jornais.

Quando entendi que aquela carta era o resultado de uma literatura entregue há cerca de seis anos, o Espírito Santo se moveu em mim, os pelos do meu braço "deram" glórias a Deus e ouvi uma voz dentro de mim :"Lança o teu pão sobre as águas, pois depois de muitos dias o acharás"

Comecei em tempos perigosos. Nos próximos dois anos e meio, foi isso o nosso ministério. Coletávamos mos revistas usadasde escola dominical, bíblias e livros. Da Zona Sul de São Paulo para grupos de presidiários cristãos no estado de São Paulo, através de caixas remetidas pelo Correio pelo sistema de "Encomenda normal. Como lembrança deste ministério, guardo mais de 500 carta do cárcere - todas pedindo literatura para evangelizar. Chegamos a coletar e despachar mais de meia tonelada de literatura. Contribuímos para 29 presídios.

Eu escrevia muitas cartas de aconselhamento. As caixas de literaturas de 13 a 22kg não eram remetidas de qualquer maneira. Eu sempre convidava ou passava na casa de algum irmão para orar juntos para que Deus ungisse o conteúdo para que chegasse em paz e fosse uma bênção na vida dos leitores.

Ao lado da agência (CDD) dos correios aonde eu postei cartas de aconselhamento, existe um grande Hospital Municipal. O Hospital do Campo Limpo. E foi ali, que Deus me abriu uma porta de trabalho que não se fechou mais. Ao contrário, ela foi ficando sempre maior. Olha como as coisas mudam. De 1992 a 2003, distribui mais de 500 currículos, e das entrevistas que caíram na rede - todas menos uma foram portas batidas em minha "cara". Em outubro de 2009 passado, depois do 3º convite, aceitei uma proposta de trabalho da Secretaria de Finanças do Município de São Paulo. Passei por três entrevistas. A última delas feita pelo Secretário de Finanças. Hospital e Secretaria de finanças são da mesma Prefeitura. É claro que eu dei graças por isso, entretanto estou bem consciente que não foi eu mas sim o Senhor que me abriu a porta. Quando ele fecha, ninguém abre. E quando ele abre, ninguém pode fechar. Eu conheci os dois lados da moeda.

Falando sobre Blogs. Minha estadia com os colegas do Hospital do Campo Limpo foi muito promissora. Adquiri muito conhecimento de informática. Me interessei por blogs e venho publicando acumulando e compartilhando conhecimentos há mais de quatro anos. Se for contar as páginas visitadas de meus blogs, desde 2005, pelas minhas contas elas já batem na casa de um milhão de leituras. Se for incluir os textos que escrevi e outros publicaram, não faço ideia de quanto seja. Sou grato a Deus por uma coisa: pela mudança que ele trouxe em meu ministério. Ele me fez compreender que não existe "cala-boca" definitivo, que quando vem certas crises, decepções, atrás delas eu penso que se escondem grandes oportunidades. Se eu estivesse focado nas experiências ruins do passado, eu teria jogado fora o futuro. São 1.200 pessoas, em média, diariamente que leem o Blog Olhar Cristão. Jesus é bom. Ele livrou a minha alma do cala-boca e me colocou por cima.

cruzue@gmail.com

OUTRAS INFORMAÇÕES.

Se estiver em dificuldades e quiser aconselhamento - pode escrever para mim.. Depois de orar, posso retornar seu e-mail . Meu email: cruzue@gmail.com

Congrego na Igreja Evangélica Assembléia de Deus, São Paulo, mas pertenço ao rebanho da Igreja do Senhor Jesus. Jesus é maior que qualquer Igreja, pois foi ele que morreu pela minha salvação. Igrejas não salvam ninguém. Elas existem para cuidar, ensinar e aperfeiçoar dos santos. comprados pelo sangue de Cristo.

O Blog Olhar Cristão atingiu a marca de 30.000 visitas em 30 de maio de 2007., contadas a partir de 2006. Em 29 de agosto do mesmo ano chegou a 47.000. Depois o contador de visitas sumiu. Fiz a inscrição em outros. Mais dois anos - 29.08.2009 os Leitores chegaram a 500.000. As páginas visitadas vão passar de 1.000.000 até o final de 2009.

Não coloco (mas não condeno) publicidade em blogs para ganhar dinheiro. Se alguém, por acaso, algum dia receber instrução de Deus, para contribuir com nosso ministério, basta falar comigo. cruzue@gmail.com.

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