quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Milhões de afegãos vão às urnas em meio a ataques do Talibã

Milhões de afegãos foram às urnas nesta quina-feira nas primeiras eleições presidenciais do país desde 2001, em meio a ataques de militantes do Talibã.

Segundo um comandante da polícia militar, os corpos de dois militantes foram recuperados depois de um tiroteio com a polícia em Cabul.

De acordo com a polícia, os dois militantes mortos eram extremistas suicidas - mas não está claro se eles detonaram as bombas ou foram mortos a tiros.

A polícia afirma que outros dois extremistas suicidas foram mortos antes de atingir seu alvo, na província de Paktia.

Na província de Baghlan, norte do país, um chefe da polícia distrital foi morto em um ataque do Talibã contra uma delegacia. Há informações que os choques continuaram, com mortes não confirmadas do lado do Talibã.

Também há informações de pequenos ataques com foguetes em províncias em todo o país.

A milícia Talibã já havia ameaçado atrapalhar as eleições nas quais o presidente Hamid Karzai concorre a um segundo mandato, mas segundo um porta-voz da ONU no país, a grande maioria dos postos de votação estava aberta.

Cerca de 300 mil soldados afegãos e de tropas internacionais foram destacados para garantir a segurança durante a votação.

Violência
Na capital, há várias barreiras de segurança, mas segundo o correspondente da BBC em Cabul Hugh Sykes, é difícil controlar extremistas suicidas andando a pé por causa das roupas largas usadas pelos homens, ou até por conta de militantes usando burkas femininas.

O Talibã anunciou ter infiltrado 20 extremistas suicidas em Cabul e a polícia acredita que 26 homens-bomba teriam entrado na capital.

Segundo o correspondente da BBC Ian Pannell, as ruas estavam quietas na capital, com a maioria das lojas fechadas, e as forças de segurança eram mais numerosas do que os pedestres.

Carros passavam nas ruas tocando músicas patrióticas e encorajando as pessoas a comparecer às urnas, disse ele. Cerca de 17 milhões de afegãos estão registrados para votar.

Na quarta-feira, a capital, Cabul, foi palco de uma nova onda de violência. Soldados enfrentaram insurgentes que haviam invadido um banco localizado a algumas centenas de metros do palácio presidencial. Três insurgentes morreram.

Nos últimos dois dias, 25 pessoas foram mortas em explosões e ataques no Afeganistão.

"Progresso"
O governo temia que a violência afastasse os eleitores dos postos de votação e, ao votar, o presidente, Hamid Karzai, pediu para que todos os eleitores afegãos compareçam às urnas "pela paz, pelo progresso e pelo bem-estar do país".

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, disse que, ao participar da votação, os afegãos contribuirão para "trazer vigor à vida política do país e reafirmar seu compromisso em contribuir para a paz e prosperidade da nação".

As informações são de que havia filas em alguns dos postos de votação

O ministro do Interior afegão disse que cerca de 35% do país se encontra em alto risco de ataques, e que os postos de votação não serão abertos nos oito distritos controlados pelo Talibã.

As pesquisas indicam que Hamid Karzai é o favorito, com 45% das intenções de votos. O segundo colocado nas pesquisas, o ex-ministro do Exterior Abdullah Abdullah tem 25% das preferências.

Além da onda de violência, a BBC descobriu ameaças de fraude e corrupção às eleições presidenciais.

Milhares de títulos eleitorais teriam sido postos à venda e milhares de dólares oferecidos em suborno para a compra de votos.

Os resultados preliminares das eleições devem ser divulgados neste sábado. Caso o candidato vencedor não conquiste mais do que 50% dos votos, um segundo turno será realizado em outubro.

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