terça-feira, 2 de junho de 2009

Estudo mostra que religiosos têm mais tolerância à dor

Pesquisa de uma equipe de cientistas da Universidade de Oxford, no Reino Unido, concluiram que o poder de uma mente que crê pode ser suficiente para aliviar o sofrimento ou torná-lo mais leve. A religião não só parece aliviar a dor, como também poderia "prolongar" a vida.


As pessoas que têm crenças religiosas podem resistir mais à dor? O poder de uma mente que crê pode ser suficiente para aliviar o sofrimento ou torná-lo mais leve?

A resposta é afirmativa, de acordo com uma equipe de cientistas da Universidade de Oxford, no Reino Unido, que chegaram a esta conclusão ao realizar exames de imagens cerebrais em uma série de indivíduos que foram submetidos a choques elétricos, após observar imagens religiosas.

O trabalho contou com dois grupos: um de católicos praticantes e outro de ateus e agnósticos. O experimento consistiu em mostrar a eles uma pintura da Virgem Maria do artista italiano Bartolo de Sassoferrato, e o retrato de "A Dama com Arminho", de Leonardo da Vinci.

Após admirar uma das imagens durante meio minuto, os participantes recebiam descargas elétricas durante 12 segundos e deviam qualificar o nível de dor que sentiam.

Os católicos e os agnósticos registraram níveis similares de dor após ver a pintura de Leonardo, mas os primeiros experimentaram 12% menos de dor depois que observaram a imagem da Virgem Maria.

Quando foram comparados os escaneamentos cerebrais de ambos os grupos, ficou comprovado que, quando os crentes viam a Virgem, ativava-se em seus cérebros uma área denominada córtex pré-frontal ventrolateral direito, que suprime as reações a situações que são ameaçadoras e está relacionada com a regulação da dor e a valorização dos estímulos emocionais.

"Esta área se encarrega de dar um significado neutro ou positivo a uma experiência nociva, o que nos ajuda a enfrentá-la melhor, e ajuda as pessoas a interpretar a dor e a torná-la menos ameaçadora", segundo a doutora Katja Wiech, uma das autoras do trabalho britânico.

Os pesquisadores descartam que o "efeito analgésico" se deva a uma religião em particular, e acreditam que ele também possa ser alcançado mediante a meditação e outras estratégias psicológicas.

Longevidade

A religião não só parece aliviar a dor, como também poderia "prolongar" a vida. É o que conclui outra pesquisa da Universidade Yeshiva, da cidade de Nova York, nos Estados Unidos. Os resultados mostraram que participar semanalmente de cultos religiosos pode reduzir o risco de morte em 20%, em comparação com as pessoas que não seguem a prática.

"Este efeito talvez esteja relacionado com a sensação de comunidade ou de respaldo presente nos cultos religiosos, ou talvez as pessoas fiquem menos deprimidas quando participam deles", afirma o professor de psicologia Eliezer Schnall, da Universidade Yeshiva.

Os participantes da pesquisa vêm de outro grande estudo denominado "Iniciativa de Saúde das Mulheres", que inclui quase 95 mil americanos, com idades entre 50 e 79 anos no começo do estudo.

Quando os cientistas analisaram os dados relacionando a saúde física com idade, etnia, renda, educação, respaldo social, eventos vitais importantes e a satisfação com a vida, descobriram que a participação semanal em cultos religiosos era responsável por uma grande redução do risco de morrer.

O doutor Schnall não afirma que a receita para viver mais anos consista em participar de serviços religiosos de forma regular, mas considera que suas descobertas são interessantes e convidam a realizar mais pesquisas para desvendar o mecanismo desse fenômeno.

Fonte: UOL – Ciência e Saúde

Nenhum comentário: