quinta-feira, 30 de abril de 2009

OMS alerta contra transmissão da gripe suína em hospitais

A OMS (Organização Mundial da Saúde) pediu nesta quinta-feira atenção redobrada no controle e supervisão de casos suspeitos de gripe suína para evitar transmissão dos vírus em hospitais e para evitar que profissionais de saúde espalhem a doença. O alerta veio um dia depois da organização aumentar o nível de alerta mundial para cinco, porque considera iminente a ocorrência de uma pandemia (epidemia de vasto alcance).

A gripe suína já atingiu 13 países e deixou oito mortos no México e um nos Estados Unidos. Além destes países, há casos registrados Canadá, Israel, Nova Zelândia, Alemanha, Escócia, Inglaterra, Áustria, SuíçaHolanda, Espanha ePeru --o primeiro na América do Sul.

Médicos e demais funcionários de hospitais devem usar máscaras e luvas e lavar as mãos com frequência, de modo a reduzir o risco de contágio entre eles e para os pacientes, disse a agência da ONU em um novo boletim de orientação sobre a doença.

"Todos os países devem ativar imediatamente seus planos de preparação para pandemias. Os países devem ficar em alerta elevado para surtos não usuais de doenças semelhantes à gripe e pneumonia severa", disse a diretora-geral da OMS, Margaret Chan.

Os laboratórios devem se preparar ainda para analisar rapidamente a presença do novo vírus em pacientes, além de seguir as boas práticas de biossegurança, afirmou a diretora, acrescentando que o Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC) dos EUA está montando kits de diagnóstico para serem disponibilizados a outros países e laboratórios.

"É crítico que os profissionais da saúde usem precauções apropriadas para o controle de infecções quando cuidarem de pacientes com sintomas semelhantes aos da gripe (...), para minimizar a possibilidade de transmissão entre eles, para outros profissionais da saúde, pacientes e visitantes", disse a OMS.

Cautela

O vírus é transmitido como o de uma gripe comum, de pessoa para pessoa e pode ser transmitido dias antes da pessoa começar a exibir os sintomas ou mesmo depois de já ter apresentado melhora. Por isso, a OMS recomenda que familiares que visitem pacientes devem ter acesso limitado e devem também seguir as mesmas precauções adotadas pelos profissionais da saúde.

Os sintomas em humanos são parecidos com os da gripe comum e incluem febre acima de 39°C, falta de apetite e tosse. Algumas pessoas com a gripe suína também relataram ter apresentado catarro, dor de garganta, náusea.

Os médicos precisam isolar os pacientes e evitar sua aglomeração. Ao lidar diretamente com pessoas contaminadas pelo vírus, eles devem usar óculos e até uma "blindagem" facial.

Realizar procedimentos como limpeza do trato respiratório, entubação, broncoscopia e até autopsias aumentam o risco de contaminação, de acordo com a OMS. "Profissionais da saúde com sintomas devem ficar em casa", disse o boletim.

Paralisação

Até o momento, a epidemia atingiu de maneira mais leve os países europeus. O país mais afetado pela doença foi o México onde oito pessoas morreram entre 99 casos confirmados de gripe suína. Nesta quarta-feira, o presidente mexicano, Felipe Calderón, pediu que as pessoas aproveitem o feriado de 1º de maio para ficar em casa e evitar mais transmissão do vírus.

O pedido veio depois da OMS aumentar para nível cinco, de uma escala que vai até seis, o alerta contra a doença, dizendo que o vírus ameaça "toda a humanidade".

Saiba mais sobre a escala de alerta da OMS

"Quero exortá-los todos que nestes dias de folga que vamos ter, nesta ponte que irá de 1º a 5 de maio, fique em tua casa com a tua família; porque não há lugar mais seguro para evitar contagiar-se do vírus da gripe suína que tua própria casa", afirmou Calderón em um discurso à nação na véspera de completar uma semana de declarada a emergência sanitária.

Bobby Yip/Reuters
Passageiros que chegam ao aeroporto de Hong Kong têm que preencher formulário para evitar contaminação
Passageiros que chegam ao aeroporto de Hong Kong têm que preencher formulário para evitar contaminação

Ele explicou que a lógica das medidas preventivas que estão sendo adotadas tem como orientação evitar o contágio, "que precisamente se dá quando temos contato com pessoas que possivelmente tenham esta doença sem tomar as devidas precauções".

As autoridades tentam evitar grandes aglomerações que constituem uma fonte propícia de contato do vírus, que é transmitido de pessoa para pessoa.

Para evitar as concentrações, o governo do México suspendeu as aulas em todo o país, assim como as apresentações culturais e artísticas. Na capital permanecem fechados os bares e restaurantes. O presidente afirmou ainda que fechou todos os serviços não essenciais do governo e prédios de empresas privadas, enquanto o número de doentes passa de 2.500.

O ministro da Fazenda, Agustín Carstens, calculou que as perdas econômicas pela emergência sanitária ficarão entre 0,3 e 0,5% do PIB caso a crise tenha duração de três meses.

Com Reuters, Efe e France Presse

Arte Folha Online

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