terça-feira, 7 de abril de 2009

Itália: Bispos querem enviar ajuda financeira a vítimas de terremoto. Número de mortos chega a 179

em 07/04/2009 08:25:43 (16 leituras)

O presidente da Conferência Episcopal Italiana (CEI), cardeal Angelo Bagnasco, disse que considera a possibilidade de enviar um pacote de ajuda às vítimas do terremoto que atingiu na madrugada passada a região de Abruzzo, deixando 179 mortos, mais de 1.500 feridos e cerca de 70 mil desabrigados. Novos tremores ocorreram hoje.

"Quero expressar a profunda solidariedade da Igreja às pessoas afetadas pelo terremoto e elevar ao Senhor a prece pelas numerosas vítimas desta tragédia", afirmou o religioso. 

Segundo ele, o auxílio da CEI servirá "para que os nossos irmãos que perderam todos os esforços de uma vida possam sentir a solidariedade e a fraternidade de todos". 

O cardeal também renovou sua "esperança e confiança para as pessoas afetadas, no momento em que a Páscoa se aproxima", e indicou que a Cáritas, entidade social da Igreja, já deu início a uma série de medidas para ajudar as vítimas . 

O tremor, de 5,8 graus na escala Richter e 8,8 quilômetros de profundidade, atingiu a região de Abruzzo (centro da Itália) às 3h32 locais (22h32 de domingo, no horário de Brasília) e teve seu epicentro na zona norte da cidade de L'Aquila. 

O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, confirmou que o número de vítimas fatais já passa de 150 e anunciou o envio de uma ajuda de 30 milhões de euros.

Número de mortos sobe para 179 na Itália

O número de mortos no terremoto de 5,8 graus na escala Richter que atingiu a região de Abruzzo, na Itália, nesta segunda, chegou a 179, de acordo com balanço divulgado pela Defesa Civil do país. Destes, quarenta corpos ainda não foram identificados. Trinta e quatro pessoas continuam desaparecidas e ao menos 1.500 estão feridas.

Dois outros tremores, um de 4,8 graus e outro de 3,6 graus voltaram a assustar os moradores durante a noite, mas não há registro de que tenham causado novos danos significativos. 

Ao menos 50 mil pessoas estão desabrigadas após a destruição de pelo menos 17 mil imóveis --outros estão vazios pelo temor dos moradores de novos tremores. Muitos dos que tiveram as casas destruídas ou desocupadas após a tragédia passaram a noite em seus carros. O prefeito de, L'Áquila, capital de Abruzzo, Massimo Cialente, também passou a noite em seu automóvel. "Dormi uma hora", disse o prefeito ao diário "La Repubblica". "O resto da noite visitei abrigos em solidariedade aos cidadãos". 

A chuva cessou na região depois de dificultar as buscas em uma noite em que a temperatura não passou dos 4º Celsius. A previsão de tempo para a terça-feira é de dia nublado e as equipes de resgate --que correm contra o tempo na busca por sobreviventes-- torcem para que o clima dê uma trégua. 

Bombeiros e trabalhadores da Defesa Civil retiraram mais de cem pessoas vivas dos escombros de L'Aquila --cidade de 68 mil habitantes em cujo centro histórico houve desabamento em todas as ruas-- e em 26 cidades menores e vilarejos da vizinhança. Casas, igrejas antigas e outros prédios foram afetados em toda a região. 

De acordo com a Defesa Civil, 5.100 pessoas trabalham na busca dos desaparecidos e na assistência à população desabrigada. 

Berlusconi decretou estado de emergência e foi à zona do desastre, cancelando uma viagem a Moscou. Mais tarde, ele disse que seu governo estava destinando 30 milhões de euros para assistência imediata às vítimas e afirmou que esperava uma contribuição de centenas de milhões de euros de um fundo especial da União Europeia. Ele deve voltar à região nesta terça. 

Segundo relatos locais, os terremotos ao longo da história derrubaram todas as igrejas e construções primitivas de L'Aquila, fundada na Idade Média, com exceção da fonte de 99 Cannelle e do sino do prefeitura. 

E, mais uma vez, L'Aquila se transformou hoje em uma cidade fantasma, os prédios derrubados e as janelas dos que permaneceram de pé fechadas, enquanto as ruas só são transitadas por jornalistas e por membros da Defesa Civil e dos bombeiros que trabalham na remoção de escombros. 

Uma tenda de emergência foi montada na cidade em um campo esportivo nos arredores de L'Aquila, onde funcionários da Defesa Civil e policiais distribuíram pão e água para os desabrigados. Longas filas de evacuados aguardaram ao longo do dia sob guarda-chuvas ou capas o teto prometido. As crianças, idosos e feridos tiveram prioridade na hora de conseguir alojamento em uma das 50 tendas instaladas no campo de atletismo da cidade, situada 85 quilômetros ao nordeste de Roma. No meio da noite, todos os presentes, alguns ainda de pijama, receberam um colchão, um lençol, uma coberta e um travesseiro, enquanto os geradores elétricos levam luz ao campo de refugiados. 

"Estou há 20 horas sem dormir", conta uma jovem, Flavia Cenci, que aguarda ajuda ao lado de seu namorado após serem bruscamente acordados pelo terremoto que atingiu a região de Abruzzo às 3h30 de segunda (22h30 de domingo, pelo horário de Brasília). 

"É uma catástrofe e um choque enorme", disse Renato Di Stefano, que foi com a família para o acampamento. "Atingiu o coração da cidade. Nós nunca vamos esquecer a dor." 

Localidades vizinhas 

A maioria dos mortos foi localizada na cidade de L'Aquila, que tem 68 mil habitantes, mas algumas cidades menores foram quase totalmente destruídas. Na vila de Onna, com 250 habitantes, ao menos 24 pessoas morreram. 

Nessas localidades pequenas, como Onna e Paganica, surgiu uma polêmica entre os moradores pelo que consideraram uma demora na instalação dos acampamentos. 

Em Onna, de 250 habitantes, a maioria dos cidadãos optou por passar a noite dos carros e outros no campo esportivo, da mesma forma que em Paganica, com 4.500 moradores, onde a Associação Nacional de Alpinistas ofereceu uma refeição para quase 1.500 pessoas. 

Enquanto isso, as pessoas esperam a chegada, nesta terça, dos 1.200 bombeiros e mil soldados prometidos por Berlusconi, com medo de o terremoto ter mais réplicas. 

Resistência 

De acordo com o Instituto Nacional de Geofísica da Itália, a magnitude do terremoto foi de foi 5,8 graus na escala Richter. Normalmente, os tremores entre 5,5 e 6,0 ocasionam pequenos danos em edificações. Entre 6,1 e 6,9 podem causar danos graves em regiões muito populosas.

Muitas estruturas modernas não têm resistido aos terremotos no país. Apesar das advertências feitas por geólogos e arquitetos, muitos prédios não foram remodelados para dispor de maior resistência a tremores. 

"Os desabamentos que aconteceram em Abruzzo envolveram casas que não foram construídas para resistir a um tremor de terra que não foi particularmente violento", disse Enzo Boschi, presidente do Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia da Itália. 

O sismo de ontem foi o mais mortífero na Itália desde 23 de novembro de 1980, quando um tremor de 6,9 graus na Escala Richter atingiu a região sul do país. Aldeias foram arrasadas e 3.000 pessoas morreram. 

Às 23h57 (18h57 de Brasília), houve um pequeno sismo de magnitude 3,8 graus na escala Richter com epicentro em L'Aquila, Pizzoli, Barreto e Scoppitto. 

Novos tremores

Uma série de tremores, alguns fortes, geraram pânico nesta terça-feira entre a população da região de Abruzzos, centro da Itália, 36 horas depois do violento terremoto que arrasou a cidade de L'Aquila. 

Um tremor de 4,7 graus na escala Richter foi registrado às 11H30 (6H30 de Brasília), segundo o Instituto Nacional de Geofísica.

O terremoto, um dos mais fortes desta terça-feira, provocou a queda de pedras e pedaços de móveis e mobília dos edifícios danificados, o que deixou os habitantes da região ainda mais apavorados.

Mais de 280 tremores secundários foram registradas pelos sismógrafos depois do forte terremoto de 6,2 graus de segunda-feira que deixou 179 mortos, 1.500 desaparecidos e milhares de desabrigados.

Fonte: Ansa, Folha Online e Último Segundo


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