terça-feira, 10 de março de 2009

Igreja Católica diz que Barack Obama cedeu à política e ao dinheiro na decisão sobre células estaminais

Dos Estados Unidos ao Vaticano, as reacções à decisão do presidente norte-americano que assinou ontem a ordem executiva que afasta as restrições impostas pelo seu antecessor, George W. Bush, ao financiamento com dinheiros públicos da investigação com células estaminais embrionárias, não se fizeram esperar. O Cardeal Justin Rigali, de Filadélfia e representante do comité das actividades pró-vida da Conferência de Bispos Católicos dos EUA, afirma que se assiste a uma "triste vitória da política sobre a ciência e a ética".

"Esta acção é moralmente errada porque encoraja a destruição da vida humana inocente, encarando seres humanos vulneráveis como meros produtos", acrescentou. A Igreja Católica, outros grupos religiosos e organizações pró-vida opõem-se à pesquisa de células estaminais embrionárias - que podem dar origem a qualquer célula ou tecido humano e que os cientistas acreditam serem capazes de contribuir para a cura de doenças como Alzheimer e Parkinson - porque este campo de investigação implica a destruição de embriões. A Igreja Católica apoia a investigação em células estaminais adultas, uma área que tem registado progressos nos últimos anos, porque não implica a destruição dos embriões.

Um artigo publicado hoje no jornal do Vaticano refere que "uma verdadeira democracia" deve proteger a dignidade humana em todas as etapas da sua existência. O monsenhor Elio Sgreccia, um especialista em bioética do Vaticano, afirmou aos meios de comunicação italianos que "o motivo para esta decisão deve ser procurado nas pressões para lucros", num referência explicita a eventuais interesses económicos atrás da decisão do presidente norte-americano.

Com o fim das restrições à investigação nesta área decidido por Obama, teólogos católicos têm vindo a debater eventuais formas de tornar estas pesquisas "menos repugnantes". O padre Thomas J. Reese, do Woodstock Theological Center da Universidade de Georgetown, sugere algumas medidas à administração de Obama para se encontrar um meio termo neste processo. As propostas incluem o uso exclusivo de embriões excedentários produzidos nas clínicas de infertilidade.

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