terça-feira, 31 de março de 2009

A crise da África

Por Daniel Santini 
daniel.santini@folhauniversal.com.br
 

A crise econômica que começou com a falência do mercado imobiliário dos Estados Unidos e se espalhou pelo mundo em setembro de 2008 agravou a miséria e a fome na África. 

O continente, marcado por um passado de exploração e opressão, há décadas, sofre com a instabilidade política e tem perspectivas sombrias. Em fevereiro, representantes da Organização Internacional do Trabalho (OIT) reuniram-se na Etiópia para discutir o impacto da crise na região. George Okutho, diretor da OIT no país, saiu do encontro dizendo que os efeitos da crise já são piores que os previstos, que o crescimento está ameaçado e que alguns países com a economia baseada em exportações, como Etiópia, Quênia e Tanzânia devem estar entre os mais afetados. 

O empobrecimento da periferia do mundo agrava conflitos de proporções alarmantes. No Sudão, país vizinho à Etiópia, há um genocídio em curso. Desde 2003 foram mortas mais de 300 mil pessoas na região de Darfur, no oeste do país, de acordo com estimativa da Organização das Nações Unidas (ONU). Mais de 2,5 milhões fugiram e vivem em campos de refugiados. O conflito começou com ataques de tribos determinadas a chamar a atenção para os problemas da região. Uma reação desproporcional do governo, com apoio de milícias paramilitares, culminou na morte de milhares. 

O drama ganhou proporções ainda maiores após o presidente Omar Hassan Ahmad al-Bashir ser condenado pelo Tribunal Penal Internacional de Haia por crimes contra a humanidade. Ele não só se negou a deixar o poder como, em represália, expulsou todas as organizações não-governamentais (ONGs) que prestavam ajuda aos refugiados. Trabalhos sérios foram comprometidos, como o da associação Médicos Sem Fronteiras (MSF), que chegou a ter cinco funcionários sequestrados. Após a libertação, a direção da ONG anunciou o fim do atendimento devido à "insegurança" no país. 

Além dos conflitos, a África sofre também com doenças. A disseminação do vírus HIV é emblemática. Em meio à subnutrição, o número de mortos por aids é bem maior do que o de países desenvolvidos. A miséria é gritante. O administrador paranaense Samuel de Oliveira, de 27 anos, brasileiro integrante do MSF, conta que, em vez de tomar antiretrovirais, pacientes do Zimbábue trocavam a medicação por comida para a família. É neste contexto que, na semana retrasada, o papa Bento XVI fez campanha contra a camisinha durante uma visita. 

Além da aids, a quantidade de mortes por doenças que são curáveis também choca. Desde janeiro, segundo relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), 931 pessoas morreram de meningite em uma epidemia que atinge Nigéria, Niger, Burkina Faso e Mali. "É triste demais. Há doenças que já poderiam ter sido erradicadas há muito tempo. 

O sarampo, por exemplo, que no Brasil é uma doença do passado, lá ainda mata muitos. 
Nós temos tecnologia, a indústria de remédios poderia erradicar essas doenças", diz Oliveira.

O administrador brasileiro da MSF também viveu na República Democrática do Congo e, nesta semana, embarca para Serra Leoa, país com pior Índice de Desenvolvimento Humano do planeta. 

Nas viagens, o brasileiro viu situações absurdas. "A gente não pode levar para o lado pessoal senão o lado profissional quebra. 

A história que mais mexeu comigo foi quando nossa base no Congo servia de apoio para as equipes que atuavam em áreas de guerra. 

Os refugiados vinham em nossa direção para escapar. Foi quando uma senhora de uns 76 anos contou que estava trabalhando no campo e foi violentada por vários soldados. 

Ela chegou para gente sem vontade de viver. Dizia 'como isso pode acontecer na minha idade?'", relata o brasileiro.

Gritos de louvor viram dor de cabeça

posstada em: terça-feira, 31 de março de 2009 12:06h  |  Sociedade  |  Sem comentários  |  A A A

Moradores do Palmares protestam contra abuso de religiosos que fazem cultos na madrugada

Sexta-feira, 21h30. Grupos de pessoas caminham pelas ruas do bairro Palmares, na região Nordeste de Belo Horizonte. Determinados, eles se dirigem ao monte que fica em uma das partes altas do bairro. Alguns seguem alegres. Outros, pensativos. São religiosos, a maioria evangélicos, que vão ao monte para orar e louvar a Deus.

A prática é antiga. Cerca de 4.000 anos antes do nascimento de Jesus Cristo, hebreus e samaritanos se encaminhavam às montanhas em busca de um local onde pudessem ficar reclusos, segregados.

O objetivo dos fiéis de hoje é o mesmo, porém, a sociedade se modernizou e exige regras que permitam a boa convivência entre os desiguais.

O monte no bairro Palmares, localizado em uma área de aproximadamente 10,5 mil metros quadrados - sendo 500 m de propriedade particular e o restante pertencente à prefeitura - é desabitado, mas em frente a ele, na rua Professor Antônio Márcio, estão casas e prédios onde residem várias famílias.

Há pelo menos um ano e meio, os moradores reclamam do barulho provocado pela multidão que frequenta o monte. Todos as sextas-feiras e fins de semana, fiéis de várias igrejas evangélicas da capital se reúnem no local, a partir das 22h, e passam a madrugada fazendo orações e cantando, às vezes, acompanhados de instrumentos musicais.

O terreno é cercado, mas o acesso ao monte é feito livremente por uma entrada localizada na área de propriedade particular, que pertence ao Hotel Ouro Minas. A reportagem visitou o monte na semana passada e presenciou centenas de pessoas no local, depois das 23h, quando o movimento é mais intenso.

"Sexta-feira é o dia mais crítico. A gente não consegue dormir. O barulho que eles fazem incomoda muito, sem contar os gritos de madrugada. Quando vão embora, eles saem do monte tocando instrumentos até chegarem nos carros", reclama um empresário de 39 anos, morador da região, que pediu para não ser identificado com medo de represálias.

A presença de ambulantes nas imediações e carros estacionados nos dois lados da rua, alguns na contramão e outros em portas de garagem, foram outros problemas flagrados.

BARULHO INCOMODA

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente já fez vistorias na área e constatou que os níveis dos ruídos provocados por vozes, cânticos e barulho do trânsito local estão acima dos padrões estabelecidos pela Lei do Silêncio para o horário noturno.

No entanto, a secretaria informou que não tem como aplicar multa porque não existe nenhuma entidade ou pessoa específica que assuma a responsabilidade pelos cultos no local.

De acordo com o secretário da regional Nordeste, Cláudio Vilela, a prefeitura tem fiscalizado a área para coibir o comércio de ambulantes.

Segundo ele, está em estudo um outro acesso ao monte, de modo que a entrada dos fiéis seja feita pelo terreno da prefeitura, onde não existem residências. O estudo deve ficar pronto essa semana.

Trânsito é fechado

Além da poluição sonora, a dificuldade de trafegar à noite pela rua Professor Antônio Márcio é outro problema enfrentando por moradores e, inclusive, pelos motoristas da linha 8405, que atende a região.

Às 23h20 do último dia 20, a reportagem flagrou o momento em que o coletivo não conseguiu fazer uma conversão à esquerda por causa dos veículos estacionados nos dois lados da rua. "Às vezes, quando o ônibus não consegue passar, o motorista aciona a buzina de cinco a dez minutos", conta uma dentista.

Segundo os moradores, no local existiam placas de proibido estacionar que foram arrancadas pelos fiéis. Os fiéis que frequentam o monte contam até com um segurança no local. Um homem usa um jaleco de segurança e também atua como flanelinha.


Bíblia continua sendo campeã de preferência entre brasileiros

em 31/03/2009 10:22:09 (23 leituras)

A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil 2008, encomendada pelo Instituto Pró-Livro ao Observatório do Livro e da Leitura e ao Ibope, traz informações preciosas para os evangélicos. Divulgada em setembro, a pesquisa investiga o hábito de leitura dos brasileiros e mostra que a Bíblia segue como o livro mais lido no país.

Os demais livros cristãos, porém, ainda ficam muito atrás. Foram 5.012 entrevistados, abrangendo um conjunto de 172 milhões de pessoas – 92% da população. Desse contingente, 95,6 milhões teriam lido pelo menos um livro nos três meses que antecederam a entrevista, e assim foram considerados "leitores". Em plena vigência do "Ano Machado de Assis", para a Academia Brasileira de Letras, e do "Ano da Bíblia", para a Sociedade Bíblica do Brasil (SBB), os outros 77 milhões, que não teriam lido livro algum nos três meses anteriores, foram classificados como "não leitores".

Um total de 6,9 milhões de brasileiros estaria lendo a Bíblia no momento da pesquisa, número 18 vezes maior do que o livro que aparece na segunda colocação, a ficção O Código Da Vinci, do inglês Dan Brown, cujo enredo mostra a fé cristã como uma trama conspiratória. A Bíblia também ficou na frente como "gênero" mais lido (45% dos leitores) e foi citada como "livro mais importante da vida" dos entrevistados – dez vezes mais lembrado que o segundo colocado, o Sítio do Pica-Pau Amarelo, título que na verdade não existe, mas é uma referência à literatura de Monteiro Lobato. Mesmo entre os "não leitores", a Bíblia teria sido a última leitura de 4,5 milhões de pessoas.

Esses números não surpreendem o pastor luterano Erní Seibert, de 55 anos, secretário de Comunicação da SBB. "Não há outro livro mais lido e distribuído, com tantos grupos que se reúnam para lê-lo ou estudá-lo toda semana. É livro de referência diária para o cristão", diz, lembrando que em 2007 a SBB distribuiu 5,16 milhões de exemplares das Sagradas Escrituras. Somadas às que teriam sido impressas por outras editoras evangélicas e católicas, chega-se a cerca de 8 milhões de bíblias distribuídas só no ano passado. "E há espaço para crescer mais", observa Seibert, explicando que muitos dos exemplares foram parar nas mãos de gente que já costuma ler as Escrituras. "A durabilidade média de cada Bíblia é de 12 a 15 anos, se manuseada com freqüência. A pessoa, então, quer uma nova", comenta.

A SBB também tem preocupação com quem mostra menos interesse no livro sagrado. A pesquisa Retratos da leitura no Brasil revela que entre as pessoas com menos de 25 anos a Bíblia não é o livro mais lido – perde para obras didáticas, poesias, romances e, dependendo da faixa etária, até para histórias em quadrinhos. "A gente tem feito um esforço grande nos últimos anos para desenvolver textos para essa faixa. Temos a Bíblia do Bebê, com muita ilustração, e também edições para crianças e adolescentes. A tradução precisa ser legítima, criteriosa, com uma linguagem adequada. Temos tido bastante êxito, e veremos os verdadeiros resultados daqui a dez anos", prevê Seibert.

A Bíblia segue na dianteira, mas o mesmo não acontece com as obras evangélicas. Se O Código Da Vinci aparece em segundo lugar entre os livros mais lidos, logo atrás está o esóterico O Segredo, da australiana Rhonda Byrne, seguido do infanto-juvenil campeão de vendas, a série Harry Potter, da inglesa J.K Rowling, e de clássicos infantis, como Cinderela e Chapeuzinho Vermelho. O primeiro título evangélico citado na pesquisa é Bom dia, Espírito Santo, do televangelista americano Benny Hinn, em 20º lugar. 

Expansão rápida

Mas esses números não incomodam as editoras evangélicas, que só têm visto seus lucros crescerem nos últimos anos. De acordo com a Câmara Brasileira do Livro, entre 2006 e 2007 a quantidade de títulos evangélicos no mercado saltou 27%, no mesmo ritmo do aumento do poder aquisitivo das classes C, D e E – onde se concentra a maioria dos crentes. "Em 2005, tivemos 365 mil livros vendidos; em 2008, já são mais de um milhão", diz Renato Soares Fleischner, gerente de Produção Editorial da Mundo Cristão, sediada em São Paulo. A editora tem investido fortemente em novos canais de vendas, onde a competição é acirrada. "A população evangélica cresce muito e não dá para as igrejas e livrarias atenderem suficientemente a demanda. Hoje, 20% das nossas vendas acontecem em livrarias comuns e supermercados, além de catálogos e no sistema porta a porta", informa Fleischner, que também é vice-presidente da Associação de Editores Cristãos (Asec). 

Fleischner explica que, apesar do leque de opções de 50 títulos com que a editora trabalha – aí entram livros de auto-ajuda com receitas de sucesso, desde que guardem princípios evangélicos –, a Mundo Cristão procura se situar em uma linha editorial que não confunda a cabeça do leitor. "Não publicamos teologia da prosperidade, de um lado, nem teologia de cunho muito liberal, de outro", afirma o gerente, marcando o terreno. A crise econômica que se avizinha, com potencial aumento do preço de insumos para a produção de livros, não chega a assustá-lo. Fleischner acredita que seja possível manter nas prateleiras o "preço mágico" de R$ 19,90 em várias publicações. E acha que uma boa saída é fomentar bibliotecas em escolas e igrejas.

"O segmento evangélico é um mercado novo e emergente. Vale a pena. Se houver crise, vem desemprego, e aí é até mais fácil achar vendedores porta a porta", diz, por sua vez, André Peres, diretor executivo do Grupo Didática, especializado em livros escolares. A empresa criou, há dois anos, o selo Templus, dedicado a obras religiosas. Já são seis títulos, que incluem bíblias de estudos, além de atlas e dicionário bíblicos, comercializados em domicílio. "Temos um plano audacioso de, até 2011, colocar mais de 30 mil vendedores na rua", anuncia. Em geral, os vendedores são evangélicos, e já sabem a quem oferecer os produtos. "São livros baratos e do gosto do público", resume o diretor.

Olhar pastoral

Pastor da Igreja de Nova Vida na capital federal, Richard Werner comanda há dez anos a distribuidora MW, a maior do país, e circula incansavelmente em eventos evangélicos – vários patrocinados por ele mesmo. "Quanto mais o líder lê, mais cita o que está lendo em suas pregações, e mais a igreja lê", ensina Richard. Se, como distribuidor, ele simplesmente atende à demanda dos leitores e aos pedidos das denominações, como editor demonstra um critério diferente, que guarda também um olhar pastoral. Ele comanda a Editora Palavra, e tem apostado em traduções de clássicos da fé cristã – como Vida de Oração, de Teresa de Ávila, e Mente em Chamas, de Blaise Pascal – e em reflexões mais aprofundadas. Entre elas, Ortodoxia Generosa, de Brian McLaren, que deu o que falar e em agosto levou o Prêmio Aretê, oferecido pela Asec, como Livro do Ano. "Muitos consideram o autor polêmico, mas sua obra é um convite ao diálogo entre os diferentes segmentos evangélicos; afinal, o que nos une é maior do que o que nos separa", define Richard, feliz com a procura que os livros da Editora Palavra tiveram na última Expo Cristã. A feira de produtos evangélicos, pelo gigantismo – atraiu quase 150 mil pessoas na última edição, em setembro, e é a maior do gênero na América Latina –, já entrou no calendário oficial da cidade de São Paulo. 

A MW fornece material das mais diversas editoras, e, para atender aos pedidos, não nega lugar em suas prateleiras a nenhuma linha teológica. A lista de mais vendidos da empresa em todo o Brasil confirma a parceria com as igrejas. E Então Virá o Fim: A Mensagem Final, de Magno Paganelli, livro premiado pela Asec em 1996 e publicado pela Bompastor, liderou as vendas no último ano, seguido pelo comentário de João Calvino I Coríntios, com 528 páginas, editado pela Parakletos. Em terceiro, mais uma obra sobre a mesma epístola paulina, desta vez com os comentários de Hernandes Dias Lopes, lançamento da editora Hagnos.

Também é fácil encontrar ali pilhas com best-sellers de pregadores eletrônicos americanos. Circulando pelos estoques da loja em Brasília, o casal Carlos Mesquita e Silvani Lopes fazem as compras do mês, levam muitas Bíblias e incluem na cesta títulos da pregadora americana Joyce Meyer e do escritor Philip Yancey. Tudo é revendido a preço de custo aos membros da Igreja Batista Família de Deus, em Planaltina (DF) – "uma igreja nova e pequena, que tem só uns 400 membros", descreve Silvani. Além de colportora, ela é seminarista e vai às compras com a lista encomendada pelos membros da congregação, que pagam em até quatro parcelas e, segundo Silvani, estão ávidos pela leitura. "Já as bíblias são distribuídas aos novos convertidos", afirma Carlos. 

À porta da loja, Gilcélia Lopes, de 25 anos, a Ju, espera para fechar as novas compras. Para muitos fregueses, ela é mais do que uma simples vendedora. Ju dá dicas sobre as melhores obras. "Tem gente que só compra livro comigo, e que telefona para saber das novidades", relata. "Eu tenho que ler os principais autores, para poder indicar ou não". Crente batista, Ju demonstra preocupação com as escolhas dos clientes, ainda que não tenha preconceito contra outras denominações. "O vendedor cristão não precisa mentir. Ele fala a verdade e indica aquilo que é bom mesmo. A consciência fala mais alto", frisa. Certa vez, vendo uma moça que se dizia nova convertida ao Evangelho fazer uma cesta de livros que incluía obras de Rebecca Brown e Mary K. Baxter, com relatos assustadores sobre batalha espiritual, Ju não teve dúvidas. Convenceu-a a trocar tudo aquilo por apenas um livro do pastor Ivênio dos Santos,Alma Nua. A compra saiu mais barata, mas ela afirma ter livrado a moça "de filmes de terror que não iriam edificar a sua vida". Richard, dono do negócio, não se incomoda. "Ele sabe que no fim os clientes ficam gratos e voltam para comprar mais", afirma Ju.

Base sólida

Consumidor voraz de livros teológicos, o mestre em sociologia Rômulo Corrêa, 41 anos, é um desses leitores que não tem mais onde guardar seus livros. Eles estão espalhados por todo seu apartamento e disputam espaço com as coisas da família. Mas, Rômulo não compra tudo que vê: foge dos títulos de auto-ajuda e jamais adquire obras das quais não tenha referência. Por meio de notas bibliográficas, segue a trilha de seus autores prediletos – os ligados à linha evangelical – e está sempre atento às novidades. "Muito da minha vida espiritual, devocional, está vinculado à leitura. Ao longo de todos esses anos, absorvi muito", reconhece, advertindo que há muito livro "raso" no mercado, que oferece solução fácil e receita para tudo. 

"Se eu pudesse, dava um pacote básico para cada novo convertido: obras de John Stott, Francis Schaeffer, C.S.Lewis e N.T.Wright. São livros fundamentais, base sólida para quem está começando a fé", aconselha. Para o sociólogo, nem sempre as editoras zelam pela qualidade. "Há quem publique obras sem notas bibliográficas. Já vi até livros traduzidos mutilados, publicados no Brasil sem capítulos inteiros". Rômulo, que também lê em inglês, lamenta a ausência de tradução para o português de muitos clássicos cristãos. "Até hoje não publicaram as obras completas de C.S.Lewis", sublinha, confessando que tem lido pouca ficção.

Essa história, Gabriele Greggersen, autora de A Antropologia Filosófica de C.S.Lewis e O Senhor dos Anéis: Da imaginação à ética, conhece bem (veja abaixo entrevista completa). Estudiosa da obra do autor de As Crônicas de Nárnia, Gabriele, que é doutora em filosofia e pedagogia e também escreve contos, lembra que há 10 anos, no centenário do autor, bateu na porta de várias editoras com projetos voltados para aproveitar o momento e popularizar a leitura de um dos mais celebrados escritores evangélicos do mundo. "Quem lê C.S.Lewis no Brasil?", chegou a ouvir como resposta. "O que atrai mais? Temas como liderança, casais, filhos, finanças... Mas a literatura de ficção educa a imaginação e ajuda a construir pontes e sentidos que a pessoa não compreendeu na Bíblia", argumenta. 

"No Brasil há muito sincretismo religioso, e por isso há preconceito entre os cristãos contra a literatura imaginativa", continua a filósofa. "Tudo que não é exatamente bíblico, que é mitológico, qualquer figura fantástica, e já se liga o alerta vermelho, associando-se a algo místico, a ocultismo", diz Gabriele. Ela não tem dúvida: um conto de fadas pode ser instrumento para disseminar verdades filosóficas e espirituais. "Quem lê a Bíblia e fica com a mente mais fechada, em vez de aberta, não está lendo direito. Jesus contava histórias", conclui.

Alcançando quem não gosta de ler

Há bíblias para todos os gostos. Desde as populares, de R$ 7 – mais barato que muitos lanches de fast-food –, às edições de estudo ou luxuosas, que custam mais de R$ 150. Mas Erní Seibert, secretário de Comunicação da Sociedade Bíblica do Brasil, a SBB, resiste à idéia de ver o público leitor da Bíblia como um mercado consumidor. Seibert sublinha que a grande maioria das pessoas que têm um exemplar das Escrituras simplesmente o recebeu gratuitamente. Isso porque muitos crentes e igrejas têm costume de distribuir bíblias de presente. Além disso, há inúmeros grupos assistidos por programas sociais da SBB, que busca popularizar a Palavra de Deus, fornecendo-a gratuitamente, por exemplo, em presídios e hospitais. 

Mas ainda há muita gente que vê as Escrituras com preconceito. "É o 'não li e não gostei'", observa Seibert, que também é pastor luterano. "As pessoas não têm noção da importância cultural da Bíblia, o primeiro livro a ser impresso na história", argumenta. Para atingir esse público, a SBB monta exposições e conta com um museu em Barueri (SP), onde fica sua sede, e com um centro cultural no Rio de Janeiro. E como a Bíblia não é exatamente um livro fácil de ler, a editora se dedica também a publicar versões com a linguagem mais simples. A Nova Tradução na Linguagem de Hoje usa cerca de quatro mil palavras, metade dos vocábulos empregados na tradução de João Ferreira de Almeida. O que se perde em beleza poética, ganha-se em facilidade de compreensão. Para se ter uma idéia, em 2007 foram distribuídas 649 mil versões em linguagem moderna. 

"O imaginário forma caráter e valores" 

Filósofa e pedagoga, Gabriele Greggersen tem paixão por contos de fada. Estudiosa de autores como C.S.Lewis e J.R.Tolkien, que criaram verdadeiros universos paralelos e fantásticos, sem se perder da fé cristã, ela também escreve contos para o público infanto-juvenil. Seu sonho é o dia em que os cristãos brasileiros terão mais intimidade com o mundo da literatura e da imaginação.

A pesquisa Retratos da leitura no Brasil mostra que a Bíblia é pouco lida entre crianças e adolescentes. Falta material direcionado a eles? 

GABRIELE GREGGERSEN – Eles estão lendo pouco. Associo isso ao quadro da educação escolar, com nível cada vez mais baixo, e à falta de preparo das igrejas no papel da educação. Em geral, as igrejas não fazem idéia de que têm um papel educacional. Há pouco material para as escolas dominicais, e a maioria é importada. As editoras poderiam se mobilizar para estimular o hábito e o gosto da leitura. Parece que contos literários não servem para nada – mas contar historias educa a criança. 

Mergulhar no mundo imaginário de autores como C.S.Lewis e Tolkien ajudaria? 

Esses autores perceberam o potencial do fantástico, do imaginário, para formação do caráter e dos valores. Eles não esconderam o fato de serem cristãos e conseguiram articular de forma harmônica sua literatura e sua fé. Para C.S.Lewis, a razão cuida da verdade; a imaginação, do sentido. Na escola, se um professor coloca uma fórmula abstrata na lousa, só dez por cento dos alunos compreendem. Mas, se contar uma história, se mexer com o imaginário, os alunos pegam. Jesus Cristo fazia isso. A obra de C.S.Lewis é respeitada. Há dez anos, em seu centenário, eventos na Inglaterra reuniram estudiosos para debater seus livros, e Jesus ficou no centro em tudo isso – porque, para Lewis, o caminho do imaginário era o único aberto para Deus. A via da igreja, do pastor e da pregação direta da fé não conseguiram evangelizá-lo. Mas o Tolkien conseguiu. Quem lê a Bíblia e fica com a mente mais fechada, em vez de aberta, não está lendo direito.

Mas não é simples unir imaginário e ortodoxia... 

O ser é simbolico. "Tudo que sei de filosofia já estava lá no quarto de criança, nos contos de fada", diz G.K.Chesterton em Ortodoxia. No Brasil e no mundo, os contos de fadas foram infantilizados, relegados à literatura infantil. Não são coisas de adulto. O racionalismo é um obstáculo grande, mesmo neste mundo pós-moderno. Ao contrário da literatura imaginativa, o realismo literal, da novela, é que tem efeito de alienação. A vida não é como a novela mostra. O pai cristão fica mais preocupado com o Harry Potter, mas no dia a dia das novelas da TV, vários valores distorcidos são passados o tempo todo. Interessante ver o percurso de C.S. Lewis. Seu imaginário só aflorou depois que ele se converteu a Cristo. Então, a coisa fluiu, e um conto gerou outro... Vejo Lewis como uma pessoa que foi liberta para fazer uma missão muito especial.

A senhora também escreve contos na linha do fantástico. Como é a vida de escritora no Brasil? 

É muito difícil. Muitas vezes, o escritor acaba bancando a própria obra. E há muitos autores não cristãos de livros infanto-juvenis que são talentosíssimos, então a concorrência é grande. Não é fácil entrar nesse mercado, é difícil as editoras se interessarem. Escrevo por amor à arte. No Brasil, o escritor está sozinho. Nos Estados Unidos e na Europa, existem os agentes. Quem escreve geralmente não é bom vendedor.

E o que a inspira? 

O artista cristão não tem outra fonte senão Deus. No caso do escritor, é a mesma coisa. Ele não precisa fazer proselitismo e citar a Bíblia toda hora. Mas deve aprender a usar seus dons para louvar a Deus e pode educar através da literatura. Esse é um projeto que o Senhor elaborou desde o início da Criação: somos um poema de Deus, como diz o texto bíblico no original hebraico, no trecho em que o homem é formado. O que faço de artístico só pode ser para a glória de Deus; é dele que colho a inspiração. A Bíblia, aliás, não é "concorrência desleal" para o escritor cristão. Pelo contrário, há troca, interação. São infinitos os espaços.

Um país que lê (ainda pouco) 

De acordo com a pesquisa Retratos da leitura no Brasil 2008, a Bíblia continua sendo a campeã de preferência nas estantes do país. Dos mais de cinco mil entrevistados, 64% souberam dizer qual foi o último livro que leu ou está lendo:

• Bíblia Sagrada

• O Código Da Vinci

• O Segredo

• Harry Potter (série)

• Cinderela

• Chapeuzinho Vermelho

• Violetas na Janela

• Branca de Neve

• Os Três Porquinhos

• Sítio do Pica-Pau Amarelo (série)

Fonte: Cristianismo Hoje

segunda-feira, 30 de março de 2009

Eleições gerais 2009 - CGADB - Convencao Geral Assembleias Deus Brasil


CGADB


Evento:
 39ª AGO da Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil

Local:Pavilhão de Exposições de Carapina, Vitória/ES.

Data: 20 a 24 de abril de 2009.

De acordo com o artigo 95 do Regimento Interno da CGADB os nomes e números dos candidatos aos cargos da Mesa Diretora e Conselho fiscal para as eleições do dia 23 de abril de 2009 são os seguintes:

____________________________________________


"PRESIDENTE
 11. SAMUEL CÂMARA
 12. JOSÉ WELLINGTON
____________________________________________


1º VICE-PRESIDENTE
 13. PASTOR TEMÓTEO RAMOS
 14. OSCAR DOMINGOS DE MOURA
 15. SILAS MALAFAIA
_____________________________________________


2º VICE-PRESIDENTE
 16. PASTOR IVAL TEODORO
 17. UBIRATAN JOB
_____________________________________________


3º VICE-PRESIDENTE
 18. SÓSTENES APOLOS DA SILVA
 19. SEBASTIÃO RODRIGUES DE SOUSA
_____________________________________________


4º VICE-PRESIDENTE
 20. GILBERTO MARQUES DE SOUZA
 21. PEDRO LIMA SANTOS
_____________________________________________


5º VICE-PRESIDENTE
 22. PR NECO
 23. PR. COUTINHO
_____________________________________________


1º SECRETÁRIO
 24. MOISÉS SILVESTRE
 25. ISAÍAS COIMBRA
_____________________________________________


2º SECRETÁRIO
 26. ARCELINO MELO
 27. PASTOR SODRÉ
 28. NILTON SANTOS
_____________________________________________


3º SECRETÁRIO
 29. DOMINGOS JÚNIOR
 30. ANTONIO DIONIZIO
_____________________________________________


4º SECRETÁRIO
 31. EZER BELO
 32. FERNANDES
 33. ISAMAR RAMALHO

_____________________________________________

5º SECRETÁRIO
 34. ROBERTO JOSÉ DOS SANTOS
 35. VALDOMIRO PEREIRA
_____________________________________________


1º TESOUREIRO
 36. PASTOR JONAS
 37. FRAGOSO
 38. PASTOR SANTANA
 39. LOURIVAL
_____________________________________________


2º TESOUREIRO
 40. PASTOR IVAN BASTOS
 41. JOSIAS DE ALMEIDA SILVA

_____________________________________________


CONSELHO FISCAL

REGIÃO NORTE
 42. JOEL HOLDER
 43. MOISÉS MELO

_____________________________________________

REGIÃO NORDESTE
 44. PR. ANTONIO JOSÉ
 45. ISRAEL ALVES FERREIRA

_____________________________________________

REGIÃO SUDESTE
 46. PR. JOÃO CARLOS PADILHA
 47. SAMUEL RODRIGUES
 48. DIMAS DA CEADER
 49. ADÃO A. ARAÚJO
 50. ALVARO SANCHES

_____________________________________________

REGIÃO SUL
 51. JESUS VILANDE
 52. PERCI FONTOURA

_____________________________________________

REGIÃO CENTRO-OESTE
 53. SAMUEL LIMA
 54. RINALDO ALVES DOS SANTOS


Rio de Janeiro, 15 de dezembro de 2008.

Pastor Wagner Tadeu dos Santos Gaby, Presidente da Comissão Eleitoral"

Pastor metaleiro troca o Iron Maiden pela palavra de Cristo

m 30/03/2009 10:29:12 (23 leituras)

Fanático pelos metaleiros desde a década de 1980 até 2005, Marcos Motolo (fotos antes e depois da conversão), 36, diz ter feito 172 tatuagens da banda por todo o corpo e ainda registrou o filho de dez anos como Steve Harris em homenagem ao lendário baixista do grupo. Convertido após uma 'visão', ele diz agora que é capaz de fazer milagres.

O autoproclamado fã número 1 do Iron Maiden mora em um sobrado humilde no bairro de Itaquera, zona leste de São Paulo. Fanático pelos metaleiros desde a década de 1980, Marcos Motolo, 36, diz ter feito 172 tatuagens da banda por todo o corpo e, como se o feito não bastasse para provar sua devoção, ainda registrou o filho de dez anos como Steve Harris em homenagem ao lendário baixista do grupo. Mas, da turnê recente do Maiden pelo país - que se encerra nesta terça com um show em Recife -, Motolo conta que não conseguiu ver nenhum show. Estava ocupado demais pregando a palavra de Cristo como pastor evangélico.

Personagem do documentário "Flight 666", filme oficial da banda britânica de heavy metal que tem estreia nos cinemas prevista para o mês que vem, o pastor metaleiro não renega o seu passado. Em vez disso, tem usado sua história pessoal para "semear no deserto", ou ainda, "levar a palavra de Deus às pessoas que não estão preocupadas com isso".

Em um culto evangélico realizado há dez dias, em Suzano, município da Grande São Paulo, vestindo um terno preto que cobria algumas mas não todas as tatuagens, Motolo intercalava com desenvoltura versículos da Bíblia com a promoção de sua participação no documentário internacional. "Será a primeira vez que a palavra de Cristo vai chegar a países como a China ou a Rússia", prometia entre "glórias" e "aleluias" aos fiéis, muitos dos quais provavelmente jamais haviam ouvido falar de Iron Maiden - muito menos da temática demoníaca de muitas das letras da banda. 

Convertido há apenas quatro anos, Motolo não vê problemas na mistura do sagrado e do profano. "O interessante é você saber diferenciar cultura de religião. Se a pessoa é evangélica e toca numa banda de rock, ela não precisa parar de tocar. Mesmo que [a banda] fale de Satã. Aquilo é a profissão dela, lá ela é empregada", defendeu o pastor e missionário - termo usado àqueles que não pregam apenas em uma única igreja - em entrevista ao G1 pouco antes do início da pregação.

"Se a pessoa souber curtir o heavy metal ou qualquer coisa, pode ser até funk ou futebol, sem se envolver em coisas que destruam sua saúde, é bom. Os caras do Iron Maiden, por exemplo, são inteligentes. Eles tocam heavy metal, mas quando o show acaba, eles vão tomar um Gatorade ou um suco. É por isso que estão vivos até hoje. Já o Nirvana fez dois anos de sucesso e o vocalista se matou. Por quê? Porque ele não soube diferenciar a vida particular dele da vida em cima do palco", teoriza. 

White metal

À primeira vista pode parecer estranho, mas a aproximação entre o rock pesado e os movimentos cristãos não é novidade. Não fosse pelas letras de louvor a Jesus, a banda australiana de white metal Mortification poderia ser facilmente confundida com o Sepultura. No Brasil, há bandas de rock evangélicas como a Oficina G3 e uma igreja dedicada especialmente a acolher tatuados, roqueiros e surfistas convertidos, a Bola de Neve Church. Até o performático Alice Cooper, um dos pioneiros em levar o horror aos palcos, investiu recentemente parte de seu dinheiro na construção de um centro cristão de reabilitação de jovens na cidade de Phoenix, no Arizona.

"A maldição só existe quando você acredita nela", defende Motolo, que entre as marcas no corpo tem inscrições de 666 - "o número da Besta" -, diversas versões do monstro Eddie, o mascote do Iron Maiden, e algumas imagens de guerra e mutilação que fariam arrepiar os cabelos de fiéis mais ortodoxos. "Eu não acredito que nada que eu tenha venha me prejudicar de alguma forma. A Bíblia fala que nenhuma condenação existe quando a pessoa encontra Cristo. Por isso que você vê muito ex-matador, ex-traficante ou ex-roqueiro que vira pastor. Semana retrasada um grande líder dos Carecas do Subúrbio [tradicional gangue paulista de neonazistas] voltou para a igreja", afirma. 

No princípio era o rock

Filho de pais religiosos, o pastor diz que nunca havia lido os evangelhos até a sua conversão, em 2005. Como boa parte dos adolescentes brasileiros apaixonados por música nos anos 80, sua bíblia sagrada de então era a revista "Bizz". Foi lá que leu pela primeira vez nomes como Beatles, Raul Seixas, Blitz, RPM e, claro, Iron Maiden. "Eu era criança, mas acabava enrolando meus pais. A 'Bizz' sempre tinha umas coisas mais leves na capa, mas atrás tinha uma página de venda de camisetas com vários desenhos do Iron Maiden, que me chamavam muita atenção. Para mim, o mais bonito era de um single chamado 'Aces high'. Na frente, tinha o Eddie pilotando um avião todo baleado, dilacerado, e atrás estavam outros Eddies, riscados, que já tinham morrido naquele combate", lembra.

Depois de ler uma entrevista publicada em 1982, Motolo ficou fissurado pela banda. Passou a gastar toda a mesada comprando os discos em vinil do grupo, que ouvia em uma vitrola portátil. "Eu 'tocava' as músicas do Iron Maiden. Pegava o cabo da vassoura e começava a agitar. Hoje o pessoal faz air guitar, eu tocava guitarra com vassoura!", diverte-se.

Pouco depois, fundou um fã-clube chamado Piece of Maiden, que reunia outros fanáticos pela "donzela de ferro" – um dos apelidos pelo qual o Iron Maiden é conhecido. "Ele era completamente alucinado pela banda, uma coisa meio patológica até", recorda Fernando de Sousa Pinto, ex-editor da revista "Rock Brigade", uma das primeiras a publicar uma reportagem sobre Motolo. "Também fui fã desde a adolescência, mas nunca imaginei fazer nem 10% do que ele fazia pela banda."

A idolatria incluía até leituras "satânicas", sempre à procura das referências citadas nas músicas do Maiden, do bruxo Aleister Crowley às obras do escritor de horror HP Lovecraft. "Eu entrava em cemitério de noite, via filme de terror, subia na caixa d'água da escola para ver o Sol nascer. Tudo o que era proibido agradava. Mas eram peraltices que não eram agressivas. Eu preferia entrar no cemitério ou subir em caixa d'água do que colocar uma arma na cintura e sair por aí matando. A gente não agredia ninguém. Se viesse a ter algum mal, seria contra nós mesmos", justifica. 

Pele à venda

A primeira tatuagem - o Eddie do disco "Piece of mind", gravado no peito - foi feita em 1999 e, dali em diante, relata Motolo, foram seis anos de sessões diárias até chegar às 172 que diz ter feito no total. A contagem, no entanto, obedece a um método peculiar: cada letra ou objeto diferente riscado no corpo ele considera uma tatuagem.

Motolo conta ainda que chegou a ser contatado por um membro da Yakuza, interessado em comprar a sua pele tatuada por algumas dezenas de milhões dólares. Relatos sobre o mercado de compra e venda de pele ligados à máfia japonesa não são inéditos, mas geralmente são difíceis de se comprovar.

"A gente ouve falar disso, mas estamos falando de máfia. Não acho que ela vá dar o dinheiro e esperar que a pessoa seja metralhada ou encontrada morta e leve o dinheiro deles embora", opina Roger Vieira, tatuador de São Miguel Paulista que fez a primeira tatuagem em Motolo. "Às vezes aparecem aproveitadores, mas, nos 25 anos em que eu venho trabalhando com tatuagem, nunca conheci ninguém que tenha vendido a pele."

O pastor, no entanto, sustenta sua versão e diz que estava prestes a fechar o negócio, quando teve a visão que mudaria sua vida para sempre.

"No dia 10 de abril de 2005, eu estava deitado na minha casa, muito preocupado porque eu ia fazer a última tatuagem. Ia tomar uma anestesia e ficar 48 horas desacordado para tatuar embaixo das unhas. De madrugada me faltou sono, e eu tive uma visão em que um homem de fogo apareceu e falou para mim que eu não teria nem fama nem dinheiro, mas que, a partir daquele dia, ele ia me levar para os quatro cantos da Terra e, onde eu colocasse meus pés, as pessoas seriam transformadas pelo poder de Deus", conta."E aconteceu. Desde então, dois mortos com óbito já ressuscitaram, um câncer de 9 cm sumiu de dentro do ventre de uma moça, paralítico anda, cego vê, mudo fala e escuta através do poder da palavra de Deus." 

172 – 8 = 164

Convidado pela irmã, também evangélica, para dar seu testemunho na igreja, Motolo se converteu. "Eu nunca tinha lido a Bíblia na minha vida. A partir daquele momento a Bíblia inteira apareceu na minha mente. Eu não leio a Bíblia, nunca li. Eu abro a Bíblia e Deus me revela o que aconteceu na vida de qualquer pessoa ali dentro." 

Mas a lista de milagres que Motolo diz ter experimentado não para por aí. Na mesma profética visão de abril de 2005, o pastor diz ter ouvido de Deus que "seria imortal na Terra até que todas as tatuagens desaparecessem". "E, por milagre, oito tatuagens já se apagaram do meu corpo. Agora tenho 164", afirma.

Nesse ritmo, vai viver até quando, pergunta a reportagem? "Com Deus é um mistério. Pode desaparecer tudo num só dia ou pode demorar um pouco mais. Mas elas estão sumindo gradualmente, devagarinho...", insiste.

Desconfiado, o tatuador de Motolo volta a ponderar. "Ele voltou aqui depois que virou pastor. Eu não vi nada apagando, mas se for mal feita, em cinco anos, começa a desparecer uma boa parte mesmo." 

Prova de fé

Ceticismo não é uma novidade na vida do pastor metaleiro. Mesmo entre a comunidade evangélica, ele diz que muitas vezes enfrenta resistência. "Até hoje, de alguma forma, as pessoas me olham com um olho aberto e outro fechado. O pastor Marcos Motolo aceitou Jesus de verdade? Por que ele participa do filme do Iron Maiden? Por que ele dá entrevista sem camisa e mostra as tatuagens? Algumas pessoas talvez não teriam coragem de deixar um novo convertido pregar em grandes conferências. Ficam com medo de acontecer alguma coisa, de eu voltar atrás e de o ministério deles ser envergonhado", reconhece. 

A também envangélica Ana Paula Mota, 37, que descreve Motolo como uma pessoa "sincera" e "tranquila", crê intensamente na conversão do noivo. Segundo ela, nem os discos de heavy metal fazem mais parte da rotina do ex-maidenmaníaco. "A imagem do Iron Maiden ficou na vida dele por conta de tudo o que ele vivenciou e das tatuagens. São marcas que ficaram e que mostram a modificação do que ele era e do que é agora", atesta a noiva. "Foi um verdadeiro milagre da parte do Senhor." 

Fonte: G1

sábado, 28 de março de 2009

Família do maior empresário do aborto dos EUA morre em acidente misterioso

(Por Gingi Edmonds) - Alguns de vocês podem ter visto as manchetes sobre o avião particular que se caiu sobre um Cemitério em Montana, matando 7 crianças e 7 adultos.

Mas o que as fontes noticiosas se esqueceram de mencionar é que o Catholic Holy Cross Cemetery propriedade da Resurrection Cemetery Association em Butte – contem um memorial para os residentes locais rezarem o rosário, no 'Tumulo dos Não Nascidos'. Este memorial, localizado a curta distancia a oeste da igreja, foi erigido em dedicação a todos os bebês que morreram por causa do aborto.

Que mais a imprensa oficial não lhe está contando? A família que pereceu no acidente, próximo ao local do memorial dedicado às vitimas do aborto, é a família de Irving 'Bud' Feldkamp, proprietário da maior rede de aborto para fins lucrativos da nação [EUA].

Family Planning Associates foi comprada quatro anos atrás por Irving Moore "Bud" Feldkamp III, dono da Allcare and Hospitality Dental Associates e CEO do Glen Helen Raceway Park em San Bernardino [California]. As 17 clinicas de Planejamento Familiar da Califórnia (Family Planning clinics) realizam mais abortos no estado do que qualquer outro provedor de aborto – incluindo a Planned Parenthood – sendo que inclusive realizam abortos até ao quinto mês da gravidez.

Apesar de Feldkamp não ser um abortista, ele aufere polpudos lucros oriundos de dinheiro tingido com o sangue de dezenas de milhares de bebes, assassinados mediante os abortos praticados a cada ano nas clinicas das quais ele aufere a propriedade. Seus negócios na indústria do aborto lhe permitiram desfrutar do turbo-hélice privado, que estava transportando sua família para uma semana de férias no The Yellowstone Club, um exclusivo resort de esqui para milionários.

A aeronave caiu no Domingo, matando duas das filhas de Feldkamp, dois genros e cinco netos, juntamente com o piloto e quatro amigos da família. O Avião, um turbo-hélice monomotor pilotado por Bud Summerfield de Highland, embateu no cemitério Católico e explodiu em chamas, apenas a 150m do seu destino final de aterrissagem. Todos a bordo morreram.

A causa do acidente é um mistério. O piloto, que era um ex piloto militar, com mais de 2,000 milhas voadas, não deu qualquer indicação aos controladores de trafico aéreo de que a aeronave estivesse experimentando dificuldades, no momento em que pediu para ter a rota mudada para um aeroporto em Butte. Testemunhas relatam que o avião subitamente apontou ao solo, sem aparentes sinais de luta. Não existia nenhum gravador de voz no cockpit ou um registrador de dados do vôo a bordo, não existindo quaisquer dicas do radar sobre os momentos finais da aeronave, porque o aeroporto de Butte não está dotado com esse tipo de equipamento. Alguns especulam que o acidente se deveu a gelo nas asas, mas este modelo particular de avião foi testado para condições climáticas extremas de gelo e especialistas afirmaram que é pouco provável que gelo tenha sido a causa.

Nos meus dias em que trabalhava para a Survivors of the Abortion Holocaust, ajudei na organização e realização de uma campanha semanal, onde jovens ativistas permaneciam fora da mansão de Feldkamp, em Redlands, segurando cartazes com sinais do desenvolvimento fetal e conscientizando a comunidade local sobre os negócios de Feldkamp, envolvendo lucros obtidos com a morte de crianças. Toda Quinta-feira à tarde gritávamos a Bud e sua esposa Pam para se arrependerem, procurar a benção de Deus e afastarem-se pessoalmente da pratica de assassinato de crianças.

Nos o avisamos, por amor aos seus filhos, para lavar suas mãos do sangue inocente, que ele insistia em derramar, porque, como a Escritura avisa , se "você não odeia o derramamento de sangue, este lhe perseguirá". (Ezequiel 35:6).

Uma fonte noticiosa declarou que Bud Feldkamp visitou o local da queda com sua esposa e seus dois filhos restantes, na segunda feira. Quando permaneciam junto aos restos retorcidos e carbonizados da aeronave, falando com os investigadores, uma ligeira neve começou a cair sobre as sacolas de polietileno que recobriam os restos mortais de seus filhos.

Não pretendo transformar este trágico acontecimento numa espécie de momento espiritual desagradável, do tipo 'Eu não lhe avisei'! - mas não posso deixar de pensar no tempo que permaneci fora da mansão dos Feldkamp's - Pam Feldkamp rindo dos cartazes com imagens do desenvolvimento fetal, e Bud Feldkamp tentando evitar o contato direto com nossos olhos, ao entrar em seu carro com uma pequena criança atrás – e penso naquelas pungentes palavras 'Pense em suas crianças!' Me pergunto se o fantasma dessas palavras não estaria rondando Feldkamp ao permanecer ali, na neve, entre os restos mortais dos seus entes queridos, a alguns metros apenas do 'Tumulo dos Não Nascidos'?

Só espero e rezo, em face desta tragédia, que Feldkamp reconheça a necessidade de se arrepender e reformar-se. Peço a Deus que deste infortúnio e catástrofe possa Ele amolecer os corações de Bud e Pam, para que se aproximem do Senhor e lavem suas mãos do sangue de milhares de crianças inocentes, cada um tão precioso e insubstituível quanto os seus.

"Coloquei diante de ti a vida e a morte, a benção e a maldição. Escolhe, pois, a vida." (Deut. 30:19)

Fonte: Júlio Severo

sexta-feira, 27 de março de 2009

A IGREJA DA CHINA DEBAIXO DA PERSEGUIÇÃO


Nova série de fotos da Igreja Evangélica da China do período entre 1960 a 1994, mostrando: prisões, perseguições, pessoas orando, sorrindo, testemunhando e batismo nas águas. Que sua vida possa possa ser inspirada pelo Espírito Santo ao contemplar estas 41 fotos printadas digitalmente sobre o documentário Jesus In Chine IV. Que o Senhor o/a abençoe com um espírito voluntário para evangelização e missões. Espero seu comentário: cruzue@gmail.com - João Cruzué

x46

Prisões e Destruição de templos,
principalmente sob Mao Tse-tung

x24

x35

x34

x25

x36

x43

Uma Igreja que ora muito

x44

x41

x40

x15a

x15

x13

x4

x6

Que dá bom testemunho de Cristo

Esporte: Kaká não viaja e desfalca Seleção contra o Equador


Renato Pazikas
Direto de Teresópolis


O médico José Luiz Runco declarou após o treino da manhã desta sexta-feira que o meia Kaká não irá viajar para o Equador e ficará de fora do duelo contra a seleção local, no próximo domingo.

» Veja fotos de Kaká
» Sem Kaká, Dunga dá "liberdade
total" a Ronaldinho
» Brasileiros respondem à
provocação de técnico do Equador
» Vaga na Seleção é um prêmio
e custa caro, diz Daniel Alves

Fora da partida em Quito, o jogador do Milan seguirá para Porto Alegre e fará um trabalho com dois profissionais da equipe médica da Seleção Brasileira.

"Para que ele tenha um condicionamento melhor e esteja bem, a gente resolveu deixá-lo de fora da viagem e ele viajará para Porto Alegre para continuar o trabalho de fisioterapia e recondicionamento físico", afirmou Runco.

Kaká chegou a treinar com bola pela primeira vez na manhã de hoje e participou do início do treino tático promovido pelo técnico Dunga. Porém, o meia saiu no meio da movimentação para fazer exercícios físicos com o preparador Paulo Paixão.

O meia do Milan sofre com uma lesão no pé esquerdo e ainda não tem volta confirmada para o jogo contra o Peru, na próxima quarta-feira.

"Vocês têm que entender que ele é um jogador emprestado e temos que preservar o atleta. Não posso colocá-lo em uma situação comprometedora, não posso liberá-lo por problemas físicos, e isso tem de ser respeitado".

Após o anúncio de que Kaká estará de fora do duelo contra o Equador, o técnico Dunga lamentou, mas preferiu minimizar a situação.

"Cada jogador tem sua característica. Não é a primeira vez que ficamos sem ele. Temos que basear o trabalho no coletivo. Quanto mais atletas de alto nível, melhor. Mas isso acontence e temos que estar preparados".

Sem a presença de Kaká, o meio-campo titular da Seleção Brasileira que deve jogar contra o Equador deverá ser formado por Gilberto Silva, Felipe Melo, Elano e Ronaldinho.

Redação Terra

Esprte: Rubinho em 2º e Rosberg fecha primeiro dia de treinos na ponta

As três equipes que causaram polêmica devido aos controversos difusores traseiros dominaram o primeiro dia de treinos livres para o Grande Prêmio da Austrália, que abre a temporada no domingo. O alemão Nico Rosberg, que liderou a primeira sessão com a Williams, melhorou o tempo e manteve a ponta. O brasileiro Rubens Barrichello, da Brawn GP, também andou mais rápido do que pela manhã e fechou em segundo.

RESULTADO DO SEGUNDO TREINO
Oliver Multhaup/AP
Rubinho chegou a sair da pista
Rob Griffith/AP
Rosberg liderou as duas sessões
1. Nico Rosberg - Williams - 1min26s053
2. R. Barrichello - BrawnGP - 1min26s157
3. Jarno Trulli - Toyota - 1min26s350
4. Mark Webber - Red Bull - 1min26s370
5. Jenson Button - BrawnGP - 1min26s374
6. Timo Glock - Toyota - 1min26s443
7. Kazuki Nakajima - Williams - 1min26s560
8. Sebastian Vettel - Red Bull - 1min26s740
9. Adrian Sutil - Force India - 1min27s040
10. Felipe Massa - Ferrari - 1min27s064
19. N. Piquet - Renault - 1min27s828
MAIS FOTOS DOS TREINOS LIVRES
VEJA OS TEMPOS COMBINADOS
PÁGINA ESPECIAL SOBRE FÓRMULA 1
HAMILTON: 'NÃO FOI TÃO RUIM'
BARRICHELLO: 'FERRARI SE ESCONDE'
MASSA ESPERA MUITO TRABALHO
Barrichello foi só um décimo mais lento que o primeiro colocado e salvou o Brasil no primeiro dia, já que, no agregado das duas sessões, Felipe Massa foi apenas o 11º colocado, e Nelsinho Piquet o penúltimo. Já o campeão Lewis Hamilton não melhorou o desempenho decepcionante da primeira etapa e ficou atrás do parceiro Heikki Kovalainen, de novo.

Enquanto os protagonistas do ano passado viram coadjuvantes, os primeiros treinos livres prometem incendiar a polêmica envolvendo o uso dos difusores traseiros por Brawn GP, Toyota e Williams. Isso porque, em terceiro lugar, ficou o italiano Jarno Trulli, da Toyota. Assim, os três primeiros colocados da atividade que deu início à temporada da Fórmula 1 são justamente das equipes que enfrentam reclamações.

Ferrari, Renault, Red Bull e BMW contestam o tamanho do difusor traseiro utilizado pelas três equipes. A peça aerodinâmica teria o poder de baixar cerca de 0,3 s por volta. Apesar de a FIA já ter declarado que o equipamento está dentro do regulamento, o caso vai à Corte de Apelações, e o veredicto está previsto para sair em duas semanas.

Mas o australiano Mark Webber, da Red Bull, ignorou essa suposta vantagem dos concorrentes e terminou a segunda sessão em quarto lugar, à frente da Brawn GP de Jenson Button, da Toyota de Timo Glock e da Williams de Kazuki Nakajima, que vieram logo atrás, na ordem. Sebastian Vettel, também da Red Bull, fechou o pelotão dos oito primeiros.

Quem tem motivos para se preocupar após os primeiros treinos livres é a Ferrari, que viu o brasileiro Felipe Massa terminar em décimo lugar, atrás da Force India de Adrian Sutil. Ainda assim, o brasileiro melhorou o tempo em relação à primeira sessão.

Quem não conseguiu fazer isso foi o seu companheiro Kimi Räikkönen. Ele e o compatriota finlandês Heikki Kovalainen, da McLaren, foram os únicos dos 20 pilotos que não conseguiram melhorar suas marcas iniciais. Räikkönen terminou a segunda sessão em 11º, logo atrás de Massa. Mas, no agregado dos tempos dos dois treinos, o "Homem de Gelo" encerrou o dia com o nono melhor tempo.

PROGRAMAÇÃO EM MELBOURNE
Reprodução
Infográfico traz tudo sobre o GP da Austrália com detalhe de cada curva
SAIBA TUDO DO GP DA AUSTRÁLIA
CONFIRA AS PRINCIPAIS MUDANÇAS
Kovalainen, por sua vez, ficou logo à frente do parceiro Lewis Hamilton, que melhorou mais de um segundo em relação ao começo das atividades, e ainda assim terminou em antepenúltimo. Atrás do atual campeão, só o brasileiro Nelsinho Piquet e o estreante Sebastien Buemi.

Após terminar na frente nas duas sessões de treino, Rosberg não escondeu o otimismo: "Minhas esperanças de conseguir uma pontuação consistente aumentou". Mas o alemão admitiu que ficou surpreso e que a Williams não pode se iludir. "Estamos fazendo mais do que havíamos previsto. Não achamos que nosso carro é o mais rápido, mas penso que podemos terminar no topo mesmo assim", completou.

Por outro lado, a decepção de Hamilton era evidente após a sessão. Mas o campeão confia no trabalho da McLaren para correr atrás do prejuízo. "Não estamos no lugar que gostaríamos de estar, mas vamos trabalhar o máximo que pudermos. No geral, o carro é bom, mas falta aderência em todos os lugares. Não só em alguma determinada área da pista, mas em todos os lugares", explicou.

terça-feira, 24 de março de 2009

Especialista: Igreja não se "abre" por medo de perder fiéis

em 24/03/2009 12:20:00 (50 leituras)

O momento é delicado para a Igreja Católica. Em menos de um mês, três grandes polêmicas reacenderam a sede por modernização nos dogmas católicos, ao mesmo tempo em que o papa Bento XVI (foto) sinaliza com cada vez mais força que não deve ceder às pressões.

Seja face à reintegração de um bispo que negara o Holocausto - atiçando a revolta dos judeus -, à excomunhão da mãe que autorizou a realização de aborto na filha de 9 anos, estuprada pelo próprio padrasto, ou reafirmando a proibição do uso de preservativos diante do problema epidêmico de aids na África, o Papa não dá qualquer indício de que pretenda, um dia, ouvir as vozes progressistas que clamam pela revisão dos conceitos católicos.

"Não sou nada otimista neste sentido. Bento XVI não segue de forma alguma no sentido de modernizar a Igreja e eu acho que ele não está lá para isso", define Phillippe Portier, especialista em catolicismo contemporâneo e diretor de Estudos do Grupo Sociedades, Religiões e Laicidade da Escola Prática de Altos Estudos da Sorbonne, em Paris. O grupo é mais importante da França no estudo de religiões.

Na entrevista abaixo, Portier analisa o momento atual da Igreja Católica, as suas perspectivas e o que se pode esperar deste papa em termos de evolução do catolicismo.

Uma série de acontecimentos recentes coloca a Igreja Católica em uma situação delicada. Como melhorar a sua imagem neste momento?

É muito difícil. Me parece que existe uma espécie de divórcio, iniciado há bastante tempo, entre o catolicismo ocidental e a Igreja Católica na sua hierarquia. A hierarquia da Igreja Católica, desde João Paulo II e agora, ainda mais, nos tempos de Bento XVI, tem tendência a defender um catolicismo intransigente, fundado em uma crítica muito forte da modernidade.

Isso porque a modernidade é subjetiva e refuta as verdades da Igreja. Ao mesmo tempo, no catolicismo ocidental, os praticantes têm cada vez mais tendência a desenvolver uma ética liberal. Quando analisamos o comportamento dos católicos ocidentais, eles são todos extremamente marcados pelo princípio da subjetividade, próprio à modernidade, mesmo que se sintam católicos praticantes.

Então, o que vemos é que, quando o discurso do Papa fica tenso, as diferenças entre a cúpula e a base se mostram muito claras. Isso provoca resistência extremamente pesadas à palavra do Pontífice, sobretudo em países muito marcados pela ótica liberal como a Alemanha ou a França. Existe um conflito de civilizações morais. Através dos protestos que vemos na Alemanha e na França, percebe-se que existe um completo abismo entre a palavra do Papa e a ética comum do mundo católico de hoje.

É possível haver modernização da Igreja Católica sob o comando de Bento XVI?

É extremamente difícil. Não sou nada otimista neste sentido. Bento XVI não segue de forma alguma no sentido de modernizar a Igreja e eu acho que ele não está lá para isso. Ele foi escolhido papa justamente para reativar as origens católicas, e isso definitivamente não passa por uma maior liberalização dos dogmas.

À exceção da condenação do uso do preservativo, em plena África destruída pelo vírus da aids, os outros dois casos polêmicos atuais - a reintegração do padre negacionista e a excomunhão da mãe brasileira - causaram contestação na própria Igreja Católica. As vozes progressistas hoje têm mais liberdade de expressão na Igreja?

A resposta é, claramente, sim. Sim, e por duas razões: primeiro, por ordem jurídica, ordem canônica. O que foi decidido no Concílio do Vaticano II, em 1964, não foi jamais contestado. O texto dá autonomia relativa ao povo de Deus. Este é um primeiro ponto, mas que não é suficiente para explicar a liberdade de expressão dada aos católicos. O principal é que a Igreja não é mais um aparelho capaz de controlar da mesma maneira que nos anos 40 ou 50.

Ela não consegue mais conter as atitudes e as palavras de seus próprios membros. Vivemos naquilo que eu chamo de "paisagem mosaica", marcada por múltiplas igrejas no interior da grande Igreja. Os bispos e o Papa tentam produzir uma unidade mas se chocam com a vontade de pluralidade desejada pelos próprios católicos. Os católicos hoje se organizam conforme suas próprias concepções de fé, independentemente de um aparelho que não consegue mais lhes controlar.

Qual é o futuro desta Igreja tão múltipla?

É um pouco delicado de se fazer previsões sobre isso. A idéia de João Paulo II e agora, ainda mais, de Bento XVI, é de sempre tentar reconstituir a unidade. Por isso a afirmação, muito forte, da necessidade de construção de uma nova identidade católica, de uma nova evangelização. Mas essa evangelização não deveria tocar somente aqueles que estão à margem da Igreja, mas também os que se encontram no seu interior. A idéia é de que é preciso lhes repatriar através da palavra romana, da palavra do Papa. A dificuldade é que essa mensagem de unidade não é verdadeiramente recebida pela população católica que vive sob o reino do liberalismo, que vive no século do subjetivismo.

É possível que um dia cheguemos ao fim da Igreja Católica, na ausência de modernização?

A sua questão anterior é, na verdade, uma camuflagem para essa, não? A Igreja Católica vai sobreviver ou não? Minha resposta é: sim, com certeza. Existe uma dimensão cultural muito forte na adesão à Igreja Católica. Num mundo como o nosso, hoje, você pode perfeitamente refutar a palavra do papa mas se reconhecer nas raízes católicas, em seu interior. Você pode enunciar mensagens críticas mas isso não vai levar-lhe a obrigatoriamente deixar a Igreja. A Igreja evoca ritos, memórias, sociabilidade. Nós podemos ter nossas críticas à Igreja sem fechar as portas para ela.

Existe, de fato, então, uma boa parte de praticantes que gostariam que Igreja se modernizasse?

Sim, e eles seguem o catolicismo no seu próprio ritmo, de acordo com suas próprias perspectivas e orientações. O fato de seguir a Igreja não os impede de criticar o que diz o Papa. Neste sentido, a Igreja soube acolher os espaços de liberdade e de relativa autonomia no seu interior. Algumas paróquias, por exemplo, são bem mais abertas do que outras, e os praticantes passam a seguir aqueles padres que melhor lhes convém às suas convicções próprias, sem pensar em deixar a Igreja. A Igreja lhes dá muito mais do que palavras dogmáticas, lhes permite de desenvolver uma melhor sociabilidade na família, lhes dá conforto interior. A Igreja perdeu tropas, mas não está morta.

Como a Igreja Católica vai reagir à perda cada vez mais intensa de fiéis face às crenças pentecostais, como as igrejas evangélicas?

A Igreja pode não estar chegando ao fim, mas que ela tem cada vez mais desertores, isso é bem verdade. Todos os anos a Igreja apresenta relatórios mostrando que a situação está extremamente difícil. Na Europa, como no Brasil, isso também está acontecendo. Na França, mesmo se o nível global de praticantes não baixou nos últimos 20 anos, mantendo-se estável em 8% de praticantes regulares que vão uma vez por mês à missa, os dados sobre declaração de crença na Igreja Católica estão baixando a cada ano.

Enquanto em 1970, 80% das pessoas se diziam católicas, hoje elas não são mais do que 55% a se afirmar enquanto tal. Esses dados podem ser bastante dúbios, no entanto. Pode parecer muito, se consideramos que vivemos em um mundo cada vez mais liberal. Neste sentido, podemos dizer "Realmente, ainda tem bastante adesão ao catolicismo". Por outro lado, podemos interpretar o fato puro e simples de que a adesão diminui a cada ano. E isso acontece não porque as pessoas se transformaram em atéias, por mais que as gerações mais jovens tenham se mostrado mais atéias que do que as anteriores. Isso acontece porque eles aderem a outros cultos, como o protestantismo evangélico, ou então porque elas não se reconhecem mais em uma única religião.

Os "desertores", como você chama, estariam em busca da sua própria fé, independente da Igreja?

Sim, hoje vemos um fenômeno muito claro de uma espécie de 'religião à la carte'. As pessoas não se reconhecem mais em um Deus aclamado por uma igreja histórica, mas sim cada um tenta por si, de uma forma auto-crítica, construir sua própria fé.

No sentido de reunificar o pensamento católico, as atitudes tomadas pelo Papa são as mais adequadas?

Eu não saberia dizer se são a melhor coisa a ser feita, mas eu sei o que ele tem na cabeça ao condenar fortemente o aborto ou os preservativos, em pleno século XXI. Bento XVI acha que, se a Igreja perdeu tantos praticantes, é justamente porque estava aberta demais à modernidade. Ele acha que é reafirmando a identidade original católica que ele poderá reencontrar o vigor do passado. Mas muitas vozes na própria Igreja discordam, embora, na cúpula católica, o consenso em torno desta idéia esteja formado. E o consenso para os lideres é: precisamos reafirmar a identidade cristã.

Fonte: Terra