quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

ESCOLA DE ATEUS


Charge: Flamir

Educando para a descrença

Valmir Nascimento

Uma série de acontecimentos no mundo moderno evidenciam que os ateus da atualidade estão em polvorosa e com as garras afiadas na tentativa de destruir qualquer tipo de crença em Deus, fé e expressão religiosa. No Reino Unido, recentemente o ativista ateu Richard Dawkins encabeçou campanha publicitária onde a frase “Provavelmente Deus não existe; então, pare de se preocupar e aproveite sua vida” foi estampada em centenas de ônibus. Nos Estados Unidos, o advogado Michel Newdow ingressou com pedido na Suprema Corte a fim de que a expressão “com a ajuda de Deus” fosse suprimida do juramento de posse do Presidente Barack Obama. Graças a Deus o pedido não foi atendido.

Esses e outros fatos comprovam a grande diferença entre o ateísmo moderno e o ateísmo antigo. Se em dias passados os antiteístas (ateus, agnóticos e céticos) não faziam questão de expor abertamente suas idéias, hoje eles defendem suas opiniões ostensivamente, e não poucas vezes com ferrenhos ataques aos cristãos, com declarações preconceituosas e descabidas contra todos aqueles que professam uma religião; tanto é assim que no livro “Deus, um delírio” o mesmo Dawkins declara que “Deus é um delinquente psicótico, inventando por pessoas loucas, iludidas”.

Como acadêmico e homem da ciência, Dawkins escreve como um religioso fanático, deixando de lado os pressupostos cientíticos e partindo para a defesa cega e proselitista da sua forma de ver o mundo. Como bem explicou o também professor de Oxford e ex-ateu Alister McGrath no livro “O delírio de Dawkins”, “tal como um evangelista, Dawkins prega a seus devotos do ódio a Deus, os quais se deliciam com o bombardeio retórico e erguem as mãos, prazenteiros”… “os verdadeiros cientistas rejeitam a fé em Deus! Aleluia!”.

Como anotou Ravi Zacharias, infelizmente o ateísmo está vivo e é mortal. Mais mortal ainda agora com contornos de religiosidade materialista e fanática para quem o homem é o seu próprio Deus e a lógica científica a única forma de revelação. E assim como uma igreja cristã que possui escola dominical para a instrução, ensino, e fortalecimento da fé de todos os seus membros, o ateísmo da atualidade tem buscado também formas de educar as crianças segundo a visão ateísta. Uma dessas idéias acontece no Centro da Comunidade Humanista em Palo Alto, Califórnia, com a escola dominical ateísta. Ali meninos e meninas recebem educação tendo como pressuposto principal a argumentação de que Deus não existe.

Frente a uma escola de ateus tal como essa surgem as seguintes indagações: Como se ensina uma criança para a descrença? Como se educa um menino dizendo que o mundo não possui um Criador e que nós somos simples obra do acaso?

Tais perguntas são necessárias, afinal o ser humano foi criado para crer. Somos naturalmente crédulos, e por várias razões como explica James Sire. Temos razões sociológicas (pais, amigos, sociedade); razões psicológicas (conforto, tranquilidade, significado, esperança); razões religiosas (pastor, líder, igrejas, escrituras); razões filosóficas (uniformidade, coerência, inteireza), etc. É bem verdade que todas essas razões podem ser totalmente desmoronadas de acordo com o ensino que se recebe. Essas razões podem ruir na medida em que argumentos verídicos ou inverídicos são apresentados à pessoa. Mas, como fazer com que um alguém não acredite na existência de Deus ante a razão espiritual? Como se retira de dentro de uma pessoa a certeza de que somos obra de um Criador? Como explicar para a nossa alma que somos fruto do acaso quando ela mesma tem sede do Criador (Sl. 42.2). Como ensinar a alguém que a vida dela não tem sentido ou propósito quando em verdade ela anela pelo Redentor? Nesse caso, simples argumentos educacionais não possuem eficácia.

Assim, ser educado para o ateísmo não é tão somente ilógico mas também anti-natural. A percepção que temos da espiritualidade, fé e da existência de um Deus não é algo criado pela nossa mente, resultado da vida em sociedade ou que isso tenha sido inculcado em nós pelo nossos pais, pelo contrário, são as marcas do Criador na vida de todo ser humano, que foi criado segundo a sua imagem e conforme a sua semelhança (Gn. 1.26).

Carl Sagan, um dos ateus mais conhecidos da história, disse certa vez que “não é possível convencer um crente de coisa alguma, pois suas crenças não se baseiam em evidências; baseiam-se numa profunda necessidade de acreditar”. Não se sabe ao certo sobre quais tipos de evidências e crenças a que Sagan se refere, mas, num pensamento inverso, podemos dizer o mesmo acerca dos ateus: “Não é possível convencer um descrente de coisa alguma, pois suas descrenças não se baseiam em evidências; baseiam-se numa profunda necessidade de não acreditar”. Essa necessidade, é claro, não é natural, mas sim criada pelo próprio homem que tenta tirar Deus do cenário e agir conforme seu próprio pensamento. Por esse motivo é que a Bíblia registra: “Diz o tolo no seu coração: não há Deus” (Sl. 53.1).

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