terça-feira, 12 de agosto de 2008

Internet: a um clique do céu ou do inferno

O número de crimes cometidos na internet, como golpes, ameaças e pedofilia, cresce assustadoramente. De que forma os cristãos, que também têm sido vítimas, podem se prevenir?

Amigos virtuais, compras, pagamentos e empréstimos feitos com apenas um clique, reuniões através do monitor, trabalhos escolares enviados ao professor sem ir à escola, pesquisas em livros virtuais, provas feitas com auxílio do mouse, bate-papo com colegas, jogos pelo teclado, pais de olho no desempenho dos filhos na escola e até cultos on line. Atualmente, é possível fazer praticamente tudo através da invenção que revolucionou o mundo: a internet. No mundo moderno, estar ligado à rede mundial de computadores não é mais um luxo, mas uma necessidade. No entanto, nos últimos anos, a internet, que foi criada há quase 40 anos, no período da Guerra Fria, com objetivos militares, virou uma grande vilã e, como em uma guerra, tem destruído pessoas e famílias inteiras pelo mundo, inclusive nos lares cristãos.

Já são mais de 110 milhões de sites disponíveis na web, mas é crescente o número de páginas feitas por golpistas, por pedófilos e com conteúdo pornográfico. Segundo a empresa de segurança Symantec, o número de sites que hospedam programas utilizados para golpes virtuais cresceu 167% no ano passado. Apenas no primeiro trimestre deste ano, a SaferNet, uma Organização Não-Governamental que recebe denúncias contra crimes na rede e os encaminha a autoridades, recebeu 48.129 denúncias de pedofilia na internet, sendo que 87% delas referiam-se a páginas do Orkut. Já foram 1,1 milhão de denúncias de crimes feitas à SaferNet de janeiro de 2006 a março de 2008, 90% delas relacionadas ao site de relacionamentos e 56 mil sobre pedofilia.

No Brasil, segundo pesquisa do DataFolha feita em 2007, cerca de 51 milhões de brasileiros têm acesso à internet, mas o que assusta é que 55,5% deles relataram que já sofreram algum tipo de problema relativo à insegurança na web, seja vírus ou roubo de dados (20% dos internautas).

Se os números assustam, são ainda mais alarmantes os fatos vividos por pessoas que foram vítimas no mundo virtual. Uma atleta capixaba foi difamada no Orkut após terem criado uma comunidade falsa em seu nome, inclusive com uma foto dela modificada. O resultado foi que ela chegou a perder patrocínios e contratos depois que os membros da comunidade começaram xinga-la, acusavam-na de uso de drogas e faziam ameaças. Até o namorado da vítima chegou a receber mensagens ameaçadoras.

Já o fato de ter terminado um namoro gerou dor de cabeça a uma enfermeira também do Estado, que foi alvo de vingança por parte do ex-namorado. Ele espalhou fotos sensuais dela pelas ruas e também pela internet. Em um outro caso, um jovem usou uma câmera de filmar escondida para flagrar cenas de uma parente trocando de roupa. Depois, espalhou pela net.

Casos contra evangélicos
Todos esses crimes foram ou estão sendo investigados pelo Núcleo de Repressão aos Crimes Eletrônicos (Nurecel) da Polícia Civil do Espírito Santo e o chefe de investigação do setor, Eduardo Pinheiro, ressalta que só no ano passado foram 471 denúncias de delitos na internet, sendo 173 delas relacionados a crimes contra a honra, como calúnia, injúria e difamação, 121 casos de golpes, 73 de furto, 61 de ameaça e 12 de pedofilia. Muitos dos casos são contra membros de igrejas, inclusive pastores.

"Os crimes acontecem mais no Orkut e no MSN, e já tivemos vários casos de pastores de igrejas evangélicas como vítimas. Internautas criam páginas para fazer ameaças aos pastores e os chamam, por exemplo, de homossexuais. Já tivemos dois casos desse tipo só este ano. Outras comunidades são criadas para ofender determinados grupos religiosos e as vítimas são chamadas de 'crentes de araque'. Nós estamos investigando para identificar quem são as pessoas que fizeram esses sites e essas ameaças", declarou Eduardo Pinheiro.

O caso de uma adolescente de 12 anos, que mora no Espírito Santo e é membro de uma igreja evangélica, está sendo investigado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia, que tem como relator o senador capixaba Magno Malta (PR-ES). A menina quase foi seduzida no Orkut por um jovem de 26 anos, que mora no Rio de Janeiro e se apresentou com uma foto de um rapaz loiro, de olhos azuis, dizendo estar apaixonado por ela. Com estratégias de sedução, ele conseguiu em um mês envolver a adolescente e queria que ela saísse de casa e fosse encontrá-lo. Só não conseguiu porque a menina, filha de pais evangélicos, contou o caso para a mãe. A reação do pai foi imediata: proibiu o acesso dos filhos ao Orkut.

No entanto, o pastor Aubério da Silva Brito, auxiliar da Primeira Igreja Presbiteriana de Vitória, avalia que o correto não é proibir, mas sim selecionar. "Proibir só vai instigar, gera curiosidade. É preciso criar critérios de seleção e tenho dois deles: os pais devem ver tudo o que os filhos estão vendo e, segundo, devem mostrar o porquê de certos sites não serem acessados. Os pais precisam conversar e mostrar aos filhos que o conteúdo daquele site não é apropriado para a idade dele. Dessa forma, as crianças e os adolescentes vão ter essa postura em qualquer lugar, perto ou longe dos pais", explicou.

O pastor ainda ressalta que é orientação bíblica fugir da aparência do mal (I Tessalonicenses 5:22) e buscar coisas boas, como afirma o apóstolo Paulo na carta aos Filipenses 4:8: "Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai".

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