segunda-feira, 30 de junho de 2008

Superávit primário recua em maio, mas é recorde no ano

EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília

Atualizada às 10h55

A economia do setor público para pagar os juros da dívida bateu recorde no valor acumulado nos primeiros cinco meses do ano, apesar da queda registrada em maio, segundo relatório divulgado nesta quarta-feira pelo Banco Central. O superávit primário acumulado entre janeiro e maio ficou em R$ 75 bilhões, o equivalente a 6,55% do PIB (Produto Interno Bruto) do período.

A arrecadação de impostos e contribuições acima do previsto foram as principais responsáveis pelo aumento do superávit em relação ao mesmo período de 2007, quando estava em R$ 60 bilhões.

O setor público é formado pela União, Estados, municípios e estatais. Juntos, precisam fazer uma economia equivalente a 3,8% do PIB, mais 0,5% para o Fundo Soberano do Brasil. Nos 12 meses encerrados em abril, o superávit primário está em 4,34% (R$ 116,5 bilhões).

Na comparação entre abril e maio houve uma queda no superávit primário, que passou de R$ 18,7 bilhões para R$ 13,2 bilhões.

O maior responsável pela queda foi o governo federal, cujo superávit caiu de R$ 16,8 bilhões para R$ 4,9 bilhões nessa comparação. Já as estatais foram destaque: de R$ 608 milhões para 4,6 bilhões. Estados e municípios aumentaram sua contribuição mensal de R$ 2,46 bilhões para R$ 3,7 bilhões.

Sobra

A economia do governo com o superávit primário superou o valor utilizado para pagar os juros da dívida no ano. Nos cinco primeiros meses de 2008, o pagamento de juros foi de R$ 71 bilhões. Descontado o superávit de R$ 75 bilhões, houve uma sobra de R$ 4 bilhões (chamado de superávit nominal), equivalente a 0,34% do PIB.

No mês de maio, no entanto, o pagamento de juros (R$ 16,2 bilhões) superou o superávit primário (R$ 13,2 bilhões), o que gerou um déficit nominal de R$ 3 bilhões.

Dívida pública

O superávit primário tem contribuído para reduzir a dívida pública, que apresentou nova queda em maio. O principal indicador da dívida líquida (relação dívida/PIB, Produto Interno Bruto) caiu de 41% para 40,8% de abril para maio. No ano, houve um recuo de 1,9 ponto percentual. O valor da dívida ficou em R$ 1,168 trilhão.

A dívida bruta do governo federal alcançou R$ 1,598 trilhão (55,8% do PIB).

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