segunda-feira, 7 de abril de 2008

Pão francês tem a maior alta desde 2002

CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio

O preço do pão francês registrou, em março, a maior alta desde dezembro de 2002, segundo a inflação medida pelo IGP-DI, divulgado nesta segunda-feira pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). A alta verificada pela pesquisa é de 2,26%, abaixo apenas dos 2,69% constatados no final de 2002.

De acordo com o economista da FGV, Salomão Quadros, a significativa variação do preço do pão está ligada diretamente à alta do trigo no início deste ano. Nos três primeiros meses de 2008, o produto acumula aumento de 23,46%, no atacado. Nos últimos 12 meses, essa alta chega a 45,69%.

"Não é muito comum ter uma alta desse tipo no preço do pão francês, em um mês. O aumento verificado em 2002 ocorreu na esteira do auge da desvalorização cambial. Foi um outro tipo de situação", afirmou.

A inflação de 9,18% nos últimos 12 meses medida pelo IGP-DI de março é a maior desde os 10,22% constatados em abril de 2005.

Pressão no atacado

Para os próximos meses, o economista da FGV evita fazer uma previsão mais detalhada, mas destaca que os preços de alguns alimentos, metais e do minério de ferro tendem a permanecer pressionados no atacado.

Para Quadros, a situação dos alimentos ainda é indefinida, principalmente em relação aos agrícolas. Na opinião do economista, eles serão decisivos para a definição da inflação este ano, já que os outros itens são mais previsíveis.

Nem mesmo o movimento das commodities internacionais tem um quadro mais definido, acrescentou. Ele disse ainda que alimentos, fertilizantes e metais exerceram as principais pressões sobre o índice de março.

Preço do tomate dispara

A principal alteração foi verificada no preço do tomate. Da variação constatada de fevereiro para março no IGP-DI -- de 0,38% para 0,70% -- o tomate contribuiu com 0,21 ponto percentual. No atacado, o tomate teve alta de 53,22%, depois de queda de 18,73% em fevereiro. No varejo, a variação positiva foi de 23,53% em março, após redução de 11,33% no mês anterior.

"O produto que mais pressionou o índice de março foi o tomate, devido a questões climáticas que afetaram a oferta. Foi uma questão pontual", afirmou Quadros.

Taxa de juros

Segundo Quadros, ainda não é o momento para o Banco Central aumentar a taxa Selic de juros, para conter a subida da inflação. Ele destacou que, se o cenário econômico levasse em conta apenas a inflação, tal medida seria justificada.

"Realmente, é uma situação delicada para onde a inflação está indo e o que os fatores de demanda podem provocar. Mas tem outro fator que está em curso que é a expansão dos investimentos", disse.

Quadros lembrou que a produção e a importação de bens de capital vem crescendo, e que isso é um bom indicador para a ampliação do potencial produtivo da economia. Essa conjunção, segundo o economista, pode tirar a economia da "armadilha de crescer um pouco e rapidamente esbarrar na capacidade".

"Talvez a alta dos juros seja inevitável, mas é importante que ela seja extremamente bem justificada, para ter a certeza que já chegou ao limite", completou.

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