terça-feira, 11 de dezembro de 2007

EMPREGO OU OCUPAÇÃO? Artigo de Públio José



 

EMPREGO OU OCUPAÇÃO?

 

Públio José – jornalista

( publiojose@digizap.com.br)

 

                         

                                   Por onde nós andamos o queixume, o lamento é um só: emprego. Ou melhor, a conseqüência de sua falta: o desemprego. O desemprego, qual anjo negro bafejando a morte por onde passa, vai atualmente se inserindo nos lares, nos corações, nas mentes, triturando, massacrando, apequenando, tirando a auto-estima, o brio de ex-profissionais e causando enormes prejuízos às pessoas e às famílias. Casamentos desfeitos, relacionamentos abalados, comunicação entre pais e filhos extremamente degradada, ácido corroendo vidas, sonhos, projetos, ambições. Como candidato a prefeito de Natal tenho recebido muitas pessoas – algumas até em prantos. Em todas elas – ou pelo menos em sua grande maioria – o drama é um só: o desemprego. Em algumas ainda pulsa a esperança, a perspectiva, mesmo que frágil, de um emprego. De um trabalho que as faça trazer para casa o alimento e toda alegria que tal conquista representa.

                                   Para outras a esperança já se foi – totalmente. O brilho no olhar já não existe. Foi substituído pelo manto doloroso da tristeza e da revolta. Suas vidas se resumem tão somente a carregar, numa experiência monótona e repetitiva, os desenganos do dia que passou e empurrar com a barriga mais um dia que chega, numa vivência grotesca com mais uma chaga social. Além do mais porque tal desgraça foge ao controle das populações, principalmente das mais humildes. O passar fome que atinge enormes contingentes populacionais, o sofrer a ausência do essencial, o conjugar sempre o verbo não ter é planejado, acertado, decidido alhures, longe da periferia – nos gabinetes oficiais daqui e do exterior. Em nome de um certo ajuste fiscal, grupos numerosos de pessoas indefesas ficam condenados a perambular famintos pelas ruas, desprovidos de um aparato político que lhes sirva de escudo para os ásperos dias de desespero e solidão.

                                   Atrelada a isso tudo, surge uma visão distorcida da realidade econômica vivida pelas comunidades carentes. Nos discursos oficiais a palavra mágica é emprego, sem se levar em conta a enorme complexidade econômica, mercadológica, estrutural e logística para se cumprir essa promessa. A criação de emprego não está sujeita à vontade dos mandatários de plantão. Ela se rege pelas necessidades de mercado e pelos ditames das novas tendências de consumo. Nessa distorção reside também o fato de se voltar todo aparato oficial no sentido da criação de emprego, deixando-se de lado outras opções. Tudo gira em torno de emprego, emprego, emprego, quando, na verdade, uma análise mais aprofundada no tecido social de alguns agrupamentos urbanos carentes de renda, ao lado de um planejamento mais criativo, vai descobrir atividades extremamente geradoras de novas oportunidades de negócio – e, conseqüentemente, de ocupação.

                                   Ou seja: se está difícil a geração formal de emprego, porque não direcionar o planejamento oficial no sentido da ocupação? O emprego formal, de carteira assinada, está complicado. Já a ocupação está criando verdadeiros nichos de geração de renda – com suas enormes vantagens sociais. Fazer as pessoas se ocuparem através de atividades características de suas regiões é a solução econômica e social mais adequada para estes momentos turbulentos que estamos vivendo. Exemplos? Cidades importantes do interior de São Paulo estão dando prioridade a essa alternativa, fazendo as pessoas ganharem dinheiro se envolvendo com artesanato, folclore, esporte e música. Os resultados têm sido excelentes, acarretando indicadores sociais extremamente favoráveis. Trazendo também à luz a queda dos índices de criminalidade, de doenças psíquicas, de mortalidade infantil e um alto grau de melhoria da vida comunitária.

                                   Através do artesanato, de projetos voltados para a prática do esporte, para a valorização do folclore, da música regional e de outros ingredientes característicos de uma determinada região, os poderes públicos estarão criando uma nova perspectiva de vida para milhares de pessoas – além de estarem descongestionando a mente de seus técnicos de uma missão praticamente impossível hoje em dia: a geração de empregos. Particularmente, Natal é uma cidade privilegiada nesse aspecto, tendo em vista o rico mercado turístico que aí está. Atuando como eixo principal, poderemos fazer do turismo – que providencia para a cidade um mercado altamente promissor, constituído de um exército de um milhão e meio de turistas anuais – uma verdadeira mola mestra para alterar essa rotina pobre e medíocre de querer solucionar, somente através do emprego, a carência de renda na vida das pessoas mais humildes. Vamos passar a raciocinar?      

      


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                  Luis Martins
                 Conferencista
          jornalgenesis@gmail.com
      www.jornalgenesis.blogspot.com

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