sexta-feira, 22 de junho de 2007

UM PAÍS DE LARÁPIOS?

UM PAÍS DE LARÁPIOS?


Públio José – jornalista
(publiojose@digizap.com.br)

Já se disse muita coisa acerca do Brasil – tanto por aqui como por aí afora. País do futuro, nação em desenvolvimento, país emergente, futura potência mundial, etc, etc. A isso tudo eu assisto e, em certas ocasiões, dependendo do tamanho e da lógica do elogio, até me ufano. Realmente, é bom você ser natural de uma região que vem recebendo menções favoráveis à medida que o tempo avança e que novas realidades se impõem. Isso nos massageia o ego, não é verdade? Mas, ultimamente, apesar da repetência dessas expressões colocando o Brasil num patamar até razoável, certos fatos vêm contribuindo para deixar nosso otimismo abaixo de zero. E o que se vê, como conseqüência daí advinda, é o pessimismo em galope solto tomando conta dos corações e das mentes dos brasileiros diante da dura rotina posta diante dos nossos olhos. É lamentável, não resta dúvida, o que vem ocorrendo no e com o Brasil.
À medida que o tempo passa mais se cristaliza nas pessoas a inclinação de que não há vantagem nenhuma em permanecer por estas latitudes numa posição de honestidade. E muito menos no cultivo de um caráter reto, firme, voltado para a defesa de valores e princípios que norteiem o bom proceder. A realidade que se vê, por onde se anda, é a presunção, assumida de forma acintosa, na grande maioria das pessoas, de que o negócio é levar vantagem – não importam os meios, os instrumentos, as condições. Haverá exceções? É a grande esperança que nos resta. De que um remanescente, mesmo que uma diminuta semente brasileira, segure, mantenha, preserve a bandeira da dignidade, da moralidade, da honestidade, da nobreza de caráter, enfim. E de onde virá tal contingente? De qual extrato social surgirão estes defensores da implantação de novos hábitos, de novos costumes?
Se olharmos hoje para os Olimpos nacionais, onde vicejam e transitam o que se convencionou denominar de lideranças, a coisa está feia. Pois é das tais lideranças – quer sejam políticas, governamentais, empresariais, judiciais, policiais e mais outros ais que não me lembro agora – de onde surgem e prosperam os piores exemplos de corrução, indignidade, desfaçatez, desonestidade, hipocrisia, roubo, e outros predicados semelhantes. Aí está, portanto, o grande dilema nacional: para quem olhar, a quem recorrer. Pois em qualquer ajuntamento civilizado, nos momentos das piores crises, sempre há que se buscar exemplos em pessoas que exalem confiança, que transmitam dignidade, que impregnem o ambiente nacional com o halo de sua sabedoria, com a firmeza de seu caráter. Agora me responda sinceramente. No Brasil atual em quem nos mirar? Há quem seguir? Há quem ouvir? Em quem confiar?
Na qualidade de brasileiro, me vejo assim em situação bastante desvantajosa em relação a habitantes de outros países. Não que, com isso, eu queira dizer que tudo lá fora é bom e que por aqui nada presta. Não é isso. Mas vejo o exemplo do Primeiro Ministro inglês renunciando ao cargo em função de medidas, por ele adotadas, em desacordo com o povo, relacionadas à guerra do Iraque. Já por aqui... Por aqui o Presidente do Senado Federal, flagrado em convivência escandalosa com a tesouraria de uma empreiteira, permanece ancorado na sua cadeira por conta de uma vergonhosa operação de blindagem executada pela grande maioria de seus pares. Será que terei de concluir, então, que brasileiro é brasileiro e que inglês é inglês, espécimes, portanto, de origens e escopos diferentes? Recuso-me a aceitar isso. Prefiro sonhar com um horizonte diferente. Será que me darão, pelo menos, direito a isso?

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